
Vivemos em uma sociedade cada vez mais condicionada pela opinião alheia. O elogio é recebido como confirmação de valor, enquanto a crítica, muitas vezes, é percebida como ataque, desqualificação ou fracasso. Entretanto, talvez seja necessário inverter essa lógica e compreender que tanto um quanto o outro possuem importância muito menor do que normalmente lhes atribuímos.
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O elogio, em determinadas situações, revela apenas a distância existente entre aquilo que alguém realiza e aquilo que outra pessoa gostaria de realizar. Há admiração justamente porque existe uma diferença de posição, experiência, coragem, capacidade ou resultado. Nesse sentido, o elogio pode dizer menos sobre quem o recebe e muito mais sobre a percepção de quem o oferece.
A crítica também pode seguir lógica semelhante. Nem toda crítica nasce de uma análise objetiva ou construtiva. Muitas vezes, ela é uma reação ao que o outro conseguiu fazer, à exposição que alcançou, à coragem que demonstrou ou ao espaço que passou a ocupar. Aquilo que alguém critica com intensidade pode ser justamente aquilo que, consciente ou inconscientemente, gostaria de conseguir realizar.
Isso não significa que toda crítica deva ser ignorada, nem que todo elogio seja vazio. Há críticas qualificadas que ajudam a corrigir erros e elogios sinceros que reconhecem esforço e mérito. O problema começa quando passamos a depender dessas manifestações para determinar quem somos ou quanto valemos.
Quem constrói sua vida em função do aplauso acaba se tornando prisioneiro da aprovação. Da mesma forma, quem abandona seus caminhos por medo da crítica entrega aos outros uma influência que jamais deveriam possuir.
Elogios passam. Críticas também. O que permanece é aquilo que efetivamente foi construído, realizado e vivido.
Talvez, portanto, o melhor equilíbrio esteja em ouvir ambos com serenidade, retirar deles apenas aquilo que eventualmente possa ser útil e seguir adiante. Nem o elogio deveria produzir vaidade excessiva, nem a crítica deveria ter força suficiente para interromper uma trajetória.
No final, ambos são apenas manifestações externas. E nenhuma delas deveria ter poder maior sobre a nossa vida do que a própria consciência acerca do caminho que escolhemos percorrer.






