
Quase metade dos brasileiros não consegue manter uma reserva financeira por mais de seis meses, além de que um terço da população não possui nenhuma quantia guardada. Os dados são do levantamento Raio X do Investidor Brasileiro.
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Essa pesquisa foi realizada no último ano pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em parceria com o Datafolha.
Especialista afirma que quantia acumulada é insuficiente
Apesar de 69% dos brasileiros afirmarem ter algum dinheiro guardado para emergências, 43% não conseguiriam manter a reserva por mais de seis meses sem renda, como aponta a pesquisa.
O cenário revela que, embora o hábito de guardar dinheiro esteja presente entre boa parte dos brasileiros, a quantia acumulada ainda é insuficiente para enfrentar situações como perda de renda, problemas de saúde ou despesas inesperadas.
Para o especialista em finanças Bruno Vargas, líder regional da XP no Sul, o problema também está na forma como o dinheiro é administrado. A poupança, tradicionalmente usada pelos brasileiros para guardar recursos, pode ter rendimento inferior ao de outras alternativas — que também sejam de baixo risco.
“Durante muito tempo, a poupança foi vista como porto seguro. Hoje, ela funciona mais como um lugar de passagem do que de proteção. O dinheiro fica parado, rende pouco e perde força com o tempo”, afirma.
Segundo Vargas, o ideal é construir uma reserva equivalente a pelo menos seis meses das despesas da família. Para isso, ele recomenda estabelecer uma rotina de aportes, mesmo que os valores sejam pequenos no início.
Entre as opções citadas pelo especialista estão o Tesouro Selic e os CDBs com liquidez diária. Esses investimentos permitem o resgate dos recursos rapidamente e podem oferecer rendimento superior ao da poupança, dependendo das condições do produto.
Erros comuns ao montar a reserva
Misturar a reserva de emergência com investimentos de maior risco está entre os erros que podem comprometer a segurança financeira. Deixar o dinheiro parado e não separar recursos para emergências de investimentos de longo prazo também são problemas frequentes.
“Boa parte da população acredita que está preparada, mas, na primeira dificuldade, precisa recorrer a empréstimos ou dispor de crédito não planejado. Isso mostra que a reserva não estava bem estruturada”, explica Vargas.
Em Santa Catarina, mais de 300 mil pessoas investem no mercado financeiro, segundo os dados citados pelo especialista. O volume de ativos em custódia na B3 ultrapassa R$ 25 bilhões no Estado.
Para o especialista, além de guardar dinheiro, é necessário entender onde os recursos devem ser aplicados. A combinação entre constância, planejamento e investimentos adequados pode aumentar a capacidade das famílias de enfrentar períodos sem renda.






