Os acidentes com águas-vivas cresceram 88,46% no Litoral catarinense entre 11 a 17 de fevereiro, em relação à semana anterior. Conforme o CBMSC (Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina), foram registradas 5.856 lesões no período, uma média de aproximadamente 836 por dia.
Um homem de 38 anos teve choque anafilático na Praia de Fora, em Palhoça, no último sábado (15), por volta das 12h. A vítima teve uma reação alérgica grave ao contato com o animal e foi socorrida por guarda-vidas.
Além da ardência da queimadura, o banhista apresentou inchaço na garganta e sinais de parada cardiorrespiratória. Um médico do Samu foi transportado até a praia por um helicóptero da Polícia Militar.
Após o atendimento médico, a vítima foi encaminhada de ambulância à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) mais próxima em condições estáveis de saúde.
De acordo com informações do CBMSC, o litoral catarinense contabilizou um total de 31.053 acidentes com água-viva desde o início da alta temporada, em 16 de dezembro de 2024. A média é de 353 ocorrências por dia.
Apesar do aumento de 88,46% na última semana, a incidência ainda pode ser considerada abaixo do normal. O oceanógrafo Charrid Resgalla Jr., professor da Escola Politécnica da Univali (Universidade do Vale do Itajaí) consultado pelo CBMSC, esclarece que um índice superior a 10 mil acidentes com água-viva por semana seria acima do comum.
A presença de águas-vivas no mar é indicada pela bandeira lilás, distribuída em postos de guarda-vidas de todo o litoral catarinense e mapeada no aplicativo CBMSC Cidadão. Ao avistar a bandeira, a recomendação é não entrar no mar e não andar de pés descalços na praia.
Alberto Lindner, professor de Biologia e Oceanografia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), aconselha observar o mar para prevenir acidentes com água-viva.
“É preciso ficar muito atento quando entrar na água, especialmente com a caravela-portuguesa, que causa os acidentes mais graves. Só que ela é bem mais fácil de ver, porque é toda roxa e fica boiando”, aponta o professor.
Os tentáculos da caravela-portuguesa, que contêm o veneno, ficam debaixo d’água e podem chegar a 50 metros de comprimento. Alberto Lindner esclarece, porém, que as águas-vivas não atacam os banhistas.
“Isso é importante: a água-viva não ataca, é a gente que vai em direção e toca nela sem querer”, define.
Nos casos de acidentes com água-viva, o ideal é buscar atendimento no posto de guarda-vidas imediatamente. Confira as dicas dos bombeiros:
O pesquisador Alberto Lindner também recomenda retirar os tentáculos restantes da pele. A aplicação de vinagre ajuda a neutralizar o veneno que ainda não foi injetado.
“Para diminuir a inflamação, dá para fazer compressas com água fria, mas não com água direto em cima do ferimento, porque isso pode levar à liberação de mais veneno”, explica.
Também é fundamental ficar atento às reações alérgicas desencadeadas pelos acidentes com água-viva, como ocorreu na Praia de Fora em Palhoça. Os casos mais graves podem até levar à morte.
“Se tiver alguma questão mais grave, começar a sentir náusea, falta de ar, algum tipo de reação alérgica, é importante procurar um serviço de urgência”, alerta o professor.
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