
Florianópolis é, por essência, uma cidade turística. A cada temporada de verão, a Ilha recebe cerca de 1,5 milhão de visitantes, um fluxo que impulsiona de forma decisiva o comércio local e garante, muitas vezes, o equilíbrio econômico de diversos setores ao longo do ano. Trata-se de uma vocação natural, que deve ser preservada e incentivada.
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Entretanto, toda vocação exige ordem. O acolhimento não pode se confundir com permissividade. O que se observa, em determinados pontos da cidade, especialmente na Beira-Mar, é a ocupação desregulada por trailers e motorhomes, que se instalam como se ali houvesse estrutura adequada, utilizando-se de recursos públicos e da infraestrutura destinada ao comércio regular, sem qualquer contrapartida ou fiscalização efetiva.
Esse cenário revela uma distorção: enquanto o empreendedor local se submete a regras, tributos e fiscalização, há quem usufrua dos mesmos espaços e benefícios à margem de qualquer controle. A ausência de limites, nesse contexto, fragiliza não apenas a ordem urbana, mas também a própria lógica de justiça econômica.
Outros municípios turísticos, como Ilhabela, já compreenderam que turismo exige disciplina. Lá, a circulação e permanência de trailers e motorhomes são rigidamente regulamentadas, com cobrança de taxas e aplicação de sanções quando há descumprimento. Não se trata de restringir o turismo, mas de organizá-lo.
Florianópolis precisa enfrentar esse tema com maturidade. Preservar sua essência turística não significa abrir mão do ordenamento. Ao contrário: é justamente o respeito às regras que garante a sustentabilidade do modelo e a convivência equilibrada entre moradores, comerciantes e visitantes.
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