
O atual terreno da Penitenciária de Florianópolis, que tem 174.762,85 m² e está avaliado em R$ 250 milhões, deverá abrigar um equipamento destinado ao atendimento do público, com praça, biblioteca, museu, restaurante, área de esporte e de passeio.
As mudanças acontecem assim que o governo do Estado conseguir construir presídios modulares, com 600 a 800 vagas, em diferentes cidades da Grande Florianópolis, e transferir os detentos da Penitenciária, localizada no bairro Agronômica.
O pedido foi feito pelo governador Jorginho Mello e a desativação da Penitenciária de Florianópolis deve ocorrer até o fim de 2026, quando termina o mandato do atual governo.
A construção de um condomínio residencial ou comercial, por exemplo, foi descartada. A decisão de mudança do complexo foi amplamente celebrada por empresários, moradores e entidades que enxergam na medida um enorme potencial de valorização na região, que já tem um dos metros quadrados mais caros da Capital.
O secretário de Estado da Administração, Vânio Boing, lembrou que a penitenciária funciona desde 1930 e não faz mais sentido manter a estrutura no Centro.
“Atualmente, temos mais de 2.000 presos ali. A ideia é primeiro preparar os presídios modulares e assim ter novos ambientes para receber os presos da Capital”, frisa.
Tanto a penitenciária quanto o presídio serão desativados. O Estado não pretende se desfazer do imóvel, mas construir um equipamento público.
Presidente do Secovi (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação ou Administração de Imóveis Residenciais ou Comerciais) Florianópolis e Tubarão, Márcio Koerich avalia a desativação como uma oportunidade, desde que o espaço seja realmente democratizado, para que a sociedade utilize aparelhos públicos que tragam ganhos, como um parque e um hospital, por exemplo.
“Como é um terreno do Estado, situado numa Capital e numa área tão privilegiada, poderíamos pensar em algo que não fosse exclusivo ao município, por isso, a sugestão do hospital”, declarou. Ele recomenda, entretanto, uma análise criteriosa, para o melhor aproveitamento.
Segundo Koerich, quem acompanhou a história do entorno da penitenciária sabe que era desvalorizado e não era visto com bons olhos, por causa de motins.
Ele considera ineficiente, entretanto, a ideia de que o imóvel seja trocado pelo potencial construtivo, isto é, que seja negociado para gerar arrecadação.
Em relação aos imóveis do entorno, Koerich disse que a simples notícia da possibilidade de desativação do complexo já trouxe valorização. A alta, segundo ele, será escalonada, podendo chegar a 70% em alguns casos e ficar em 50% em média.
“Ninguém quer morar perto de um possível problema, ou de área abandonada, ou de conflito. Já teve valorização espontânea e vai subir mais”, declarou.
Roberto Costa, presidente do Movimento Floripa Sustentável, acredita que a decisão, embora extremamente positiva, é tardia. “Essa penitenciária, naquele local, em pleno Centro da cidade, sempre foi uma temeridade, problema de segurança para o bairro e não cabe mais”, afirmou.
Costa defende que a estrutura tenha um projeto relevante, podendo abrigar um centro cultural, uma arena esportiva, equipamentos que a cidade carece na atualidade.
“Os investimentos em cultura em Florianópolis, faz tempo que não acontecem. O último foi o CIC (Centro Integrado de Cultura). É necessário que tenhamos um centro cultural, de repente mais um teatro, uma sala de espetáculos para música”, defendeu o empresário, que também deseja ver um projeto para a cidade na área, seja com foco esportivo, ou cultural.
Presidente da ACIF (Associação Empresarial de Florianópolis), Célio Bernardi é mais um entusiasta da mudança. Ele também mencionou a valorização da região e a melhoria do ambiente de negócios.
“Sem dúvidas, vai trazer mais desenvolvimento econômico para a região. Temos ali mais de 2.300 empresários e 140 MEIs (Micro Empreendedor Individual), que serão diretamente beneficiados”, afirmou.
“Uma requalificação do espaço, atração de novos investimentos e geração de emprego. Com certeza haverá uma dinamização maior daquela economia local, gerando mais receita para o Estado e o município. É um belo gol de placa que vai transformar a região”, completou o empresário.
A expectativa dele é que o número de empresas triplique no local. Como a entidade foca atualmente no conceito de distrito de inovação, sugere uma estrutura de vocação comercial, tecnológica ou turística.
O presidente da ACIF acredita que a mudança vai contribuir também para a percepção de segurança e qualidade de vida das pessoas que ali vivem. Assim como os demais entrevistados, Célio vislumbra uma grande transformação na região central de Florianópolis, com benefícios em termos econômicos e sociais.
Com informações de ND+.
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