
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) está usando dados de casos de feminicídio para tentar identificar situações de risco antes que novas mortes aconteçam. A iniciativa, chamada Mapa do Feminicídio: do dado à proteção, analisou 335 crimes registrados no Estado entre 2020 e 2024.
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O levantamento foi apresentado nesta sexta-feira (21), durante o 3º Congresso CONAMP Mulher, realizado em Salvador, na Bahia, pela Procuradora-Geral de Justiça de Santa Catarina, Vanessa Wendhausen Cavallazzi.
Mais do que contar o número de mulheres assassinadas, o estudo buscou entender o que aconteceu antes dos crimes. A ideia é identificar sinais de perigo, padrões que se repetem e regiões onde é necessário reforçar a atuação do poder público.
Segundo o MPSC, a maioria dos feminicídios analisados foi precedida por sinais conhecidos de violência. Em muitos casos, as vítimas já enfrentavam situações de agressão, ameaça ou outros riscos, mas não tiveram acesso efetivo à proteção necessária.
O levantamento também mostra que grande parte dos crimes foi praticada por parceiros ou ex-parceiros das vítimas. Os feminicídios aconteceram, principalmente, dentro de casa e em momentos de separação ou rompimento do relacionamento.
Para a Procuradora-Geral de Justiça, o objetivo é usar essas informações para agir antes que a violência termine em morte.
“Não é um ranking. É um radar de risco e resposta”, destacou Vanessa Cavallazzi durante o evento.
Os dados também apontaram a influência de fatores como baixa renda e baixa escolaridade. Por isso, o MPSC defende uma atuação conjunta entre diferentes áreas, como Justiça, segurança pública, saúde, assistência social, moradia, trabalho e geração de renda.
O Mapa do Feminicídio também identificou regiões consideradas mais críticas e dificuldades na resposta das instituições, especialmente na tramitação dos processos judiciais.

Rede de proteção será ampliada
A partir dos dados levantados, o MPSC anunciou mudanças na estrutura de atendimento e proteção às vítimas de violência.
Uma delas é a ampliação do Núcleo de Enfrentamento a Violências e de Apoio às Vítimas, o NEAVIT. Atualmente com 11 unidades, o núcleo deve passar a contar com 32 unidades em Santa Catarina.
Com informações da Coordenadoria de Comunicação Social do MPSC.






