
A fala de Guillermo Arturo Vieira, dono da PanSports, ao Debate da Pan nesta sexta-feira (2), colocou luz sobre uma disputa que vinha sendo tratada apenas por notas e manifestações públicas. Diretamente da Itália, o empresário argentino deixou claro que está à frente do projeto da empresa para aquisição de 90% da SAF do Figueirense, proposta aprovada pelo Conselho Deliberativo em junho, e revelou que já vem colocando recursos no clube para atender às necessidades imediatas. “O Figueirense precisa agora, para o dia a dia”, resumiu Guillermo, ao diferenciar a urgência financeira do clube da construção de um projeto de médio e longo prazo.
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A entrevista também esclareceu a relação entre Guillermo e Edson Silva, parceiro da PanSports na busca por investidores. Segundo Guillermo, a PanSports é sua empresa e Edson nunca integrou sua estrutura empresarial. Edson trabalha na captação e na aproximação de empresários, mas, diante da necessidade imediata do Figueirense, Guillermo assumiu a condução prática do projeto e passou a realizar aportes para manter salários e despesas ordinárias. O empresário defendeu a convergência entre as duas frentes e criticou o ambiente criado pelas notas públicas. Para ele, “separar o pessoal do problema” é fundamental para que o projeto avance.
A posição de Guillermo encontra respaldo na manifestação divulgada pelo Conselho de Administração da SAF, em 1º de outubro. O documento registra expressamente o “empenho e o suporte do Sr. Guillermo Vieira” pelos aportes destinados às despesas ordinárias do clube e afirma que o Conselho trabalha na prospecção de novos parceiros para somar forças ao empresário. Ao mesmo tempo, a SAF afirma que as propostas apresentadas por Edson Silva não se converteram, até agora, em recursos efetivos e que as últimas alternativas apresentadas envolviam operações de crédito consideradas inviáveis por suas garantias.
Possibilidade de judicialização
Guillermo trabalha com a necessidade de aproximadamente R$ 7 milhões para fechar o ano e deixa claro que não pretende assumir sozinho essa responsabilidade. A estratégia é reunir empresários locais, investidores ligados ao futebol e parceiros de outros mercados, inclusive para explorar comercialmente o patrimônio do Figueirense e o entorno do Orlando Scarpelli. A questão da Clave/Lift também está no centro das negociações: diante da complexidade do contrato e dos juros, Guillermo admite a possibilidade de judicialização, sem que isso represente o abandono da estruturação da SAF.
Na segunda-feira, já em Londres, Guillermo terá uma reunião com um empresário que classifica como um nome de grande peso no futebol. É mais um movimento na tentativa de ampliar o grupo de investidores. O recado deixado na entrevista é direto: o Figueirense precisa de dinheiro para sobreviver hoje, mas precisa também de uma estrutura capaz de sustentá-lo amanhã. E, para isso, Guillermo entende que as divergências entre os envolvidos não podem se transformar em obstáculo à convergência necessária para tirar o projeto do papel.






