
O Avaí abriu o jogo sobre o momento delicado que atravessa dentro e fora de campo. Em coletiva realizada na manhã desta terça-feira (29), na sala de imprensa da Ressacada, o presidente Bernardo Pessi e o gerente de futebol Pedro Costa assumiram responsabilidades pela campanha que levou o time à zona de rebaixamento da Série B e detalharam as dificuldades financeiras que condicionaram as decisões tomadas ao longo da temporada.
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Pessi começou falando em transparência e reconheceu que o clube precisa entregar uma resposta nas oito rodadas restantes, cinco delas em casa. A meta, segundo o presidente, continua sendo a permanência na competição.
Cortes e escolhas no Avaí
Pedro Costa fez uma retrospectiva da temporada e afirmou que não fugiria da responsabilidade pelas decisões esportivas. Segundo ele, 16 jogadores deixaram o Avaí durante o ano — dez por questões financeiras e seis por avaliação técnica. Outros cinco atletas que estavam emprestados também exigiam decisões entre uma nova proposta ou a liberação. O dirigente reconheceu que muitas escolhas foram reativas diante da falta de recursos.
O Avaí, segundo Costa, iniciou o ano com apenas três jogadores disponíveis, perdeu peças importantes do trio ofensivo e terminou utilizando 12 atletas jovens, com mais de seis mil minutos acumulados por jogadores abaixo dos 23 anos. Admitiu ainda que talvez tenha sido um erro iniciar a temporada com uma equipe tão jovem e sem maior experiência.
A demissão de Allan Aal também foi abordada. Pedro Costa explicou que os resultados imediatos do treinador eram positivos, especialmente depois de uma sequência de 11 jogos sem vitória, mas que lesões, problemas pessoais de jogadores, a diferença de orçamento para adversários e a necessidade de buscar um fato novo pesaram para a mudança.
A derrota para o Criciúma acabou sendo o ponto de ruptura. Para o jogo contra o Ceará, no sábado, Marquinhos Santos foi escolhido de forma conjunta pela direção. Pessi destacou a identificação do ídolo com o clube, sua capacidade de cobrança e liderança no vestiário. A decisão, porém, não é definitiva: o mercado de treinadores continua sendo avaliado e uma escolha posterior dependerá da análise do presidente.
SAF e sobrevivência financeira
Na questão financeira, Pessi revelou um cenário ainda mais preocupante. Segundo ele, o Avaí iniciou 2026 com praticamente todas as receitas comprometidas e precisou reduzir despesas para manter o clube funcionando. O presidente afirmou que houve cerca de R$ 20 milhões em cortes e que o clube atualmente gasta R$ 24 milhões a menos.
A folha, que chegou a R$ 2,7 milhões em maio de 2025, começou 2026 em aproximadamente R$ 1,2 milhão e subiu para cerca de R$ 1,5 milhão com o início da Série B e os movimentos da janela. Pessi explicou que vendas como as de Thayllon, Josmar e Baldini tiveram impacto esportivo, mas foram consideradas necessárias diante da realidade financeira.
Sobre salários, disse que o clube vem fazendo operações e antecipando receitas para manter os pagamentos, mas evitou detalhar a situação por considerar que isso poderia gerar consequências graves.
A SAF também esteve no centro da entrevista. Pessi afirmou que já foram realizados dois aportes pela futura parceira, mas que os valores ainda não são suficientes para resolver imediatamente o passivo acumulado. Segundo o presidente, o processo sofreu um atraso de aproximadamente dois meses por decisão judicial e continua avançando.
A expectativa é de que a SAF passe a assumir integralmente a responsabilidade pelo futebol e contribua para reorganizar o caixa. Pessi fez questão de reforçar que não existe uma solução mágica: as contas continuam chegando, o futebol não pode parar e as decisões tomadas até aqui tiveram como objetivo manter o Avaí de pé. Para a direção, agora restam oito jogos e a obrigação de transformar todo esse discurso em resultado dentro de campo.







