
Houve um tempo em que falar do Avaí na Série B era falar de um gigante. Um clube que, mesmo com limitações financeiras, fazia campanhas competitivas, brigava pelo acesso e entrava na competição com respeito nacional. O clube conquistou o acesso da Série C para a Série B ao se sagrar campeão nacional em 1988. O Leão subiu para a Série A em 2008, 2014, 2016, 2018 e 2021. Em 2009 fez a melhor campanha de um catarinense na Série A.
Recentemente foi campeão catarinense em 2019, 2021 e 2025 e hoje é o maior vencedor estadual, com 19 títulos. Em 2021, conseguiu algo inédito: título estadual e acesso à elite na mesma temporada. Era o Avaí da camisa pesada, da Ressacada pulsando e da capacidade de sobreviver às próprias dificuldades. Hoje, a realidade é outra. O clube está na zona de rebaixamento da Série B, em 17º lugar, depois de uma derrota por 3 a 0 para o Criciúma, e faltam apenas oito rodadas para o fim da competição.
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A transformação é dolorosa porque não se trata apenas de uma fase ruim dentro de campo. O Avaí chegou a este momento depois de anos de decisões administrativas questionáveis, mudanças de rumo, aumento de despesas, endividamento e perda progressiva de sua capacidade de investimento.
É preciso reconhecer que o clube sempre conviveu com dificuldades. Mas houve períodos em que, mesmo pressionado financeiramente, conseguiu construir, competir e avançar. A Ressacada foi ampliada, surgiram camarotes e nova cobertura, houve investimentos no gramado e no Centro de Formação de Atletas. O patrimônio cresceu. O futebol produziu jogadores, acessos e resultados. Havia uma lógica de construção.
Bola pra frente
O centenário Avaí, portanto, vive hoje uma contradição quase cruel. O clube que cantava “é povo, é gente, é bola pra frente, é só coração” parece ter perdido justamente a capacidade de olhar para frente. As dívidas se acumulam, as receitas estão comprometidas, há obrigações com recuperação judicial e transação tributária, e a própria direção admite que grande parte das receitas já foi antecipada para enfrentar emergências.

Agora resta Marquinhos Santos, o ídolo, o homem que conhece a camisa, a Ressacada e a alma avaiana. Assume novamente uma missão que deveria ser coletiva. O desafio começa sábado (3), às 11 horas, contra o Ceará, adversário que está seis pontos à frente. Não pode ser apenas Marquinhos. Não pode ser apenas o jogador. Não pode ser apenas a torcida. O momento exige uma reação institucional, uma mobilização verdadeira, um plano de emergência para as oito rodadas que restam. O Avaí precisa recuperar a força que está no próprio hino: raça, povo, gente, bola pra frente e coração.
O que está em jogo não é apenas permanecer na Série B. É impedir que um clube que já foi protagonista nacional passe a viver à sombra do próprio passado. O centenário Avaí não pode se acostumar com a ideia de que a Série C é um destino possível. O Leão da Ilha está ferido e cercado de incertezas. E talvez nunca tenha sido tão necessário lembrar aquilo que o próprio hino ensina: Avaí, meu Avaí. Da Ilha és o Leão.






