Lula abre Assembleia da ONU com críticas a sanções dos EUA e defesa da condenação de Bolsonaro

Presidente brasileiro afirmou que não há justificativa para agressões contra a independência do Judiciário e rebateu pressão de Donald Trump
Por: Juan Bonifácio
em 23/09/2025 às 12:31 - Atualizado há 6 meses.
Foto: Ricardo Stuckert/Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nesta terça-feira (23) a 80ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, com críticas diretas às sanções impostas pelos EUA (Estados Unidos) contra o Brasil e em defesa da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Sem citar nomes, Lula enviou recados ao presidente norte-americano Donald Trump, autor das medidas punitivas, e afirmou que “não há justificativa para a agressão contra a independência do Judiciário brasileiro”. O discurso ocorreu um dia após Washington ampliar as sanções contra autoridades ligadas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), incluindo sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

Defesa da democracia e recado a Trump

Lula declarou que Bolsonaro “foi investigado, indiciado, julgado e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso” e destacou que o ex-presidente “teve amplo direito de defesa”. Segundo o petista, a decisão da Justiça brasileira “deu um recado a todos os candidatos a autocratas: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”.

O presidente criticou também “sanções arbitrárias e intervenções unilaterais”, classificando-as como práticas que “enfraquecem a democracia”. O momento gerou constrangimento diplomático quando o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, crítico de Moraes, chegou ao plenário durante as falas sobre agressões à independência do Judiciário.

América Latina e Caribe

Lula defendeu a soberania dos países latino-americanos e condenou o uso de força letal fora de conflitos armados. Citou a situação da Venezuela, do Haiti e de Cuba, dizendo ser “inadmissível” que a ilha caribenha continue listada como patrocinadora do terrorismo.

Conflitos globais

  • Palestina: voltou a defender a solução de dois Estados e classificou como “genocídio” a ofensiva israelense em Gaza. Lamentou ainda a ausência da delegação palestina, impedida de comparecer após os EUA revogarem seus vistos.
  • Ucrânia: disse que “não haverá solução militar” e pediu diálogo, destacando iniciativas como a reunião entre Trump e o presidente russo Vladimir Putin no Alasca, além de esforços de China, Brasil e União Africana.

Outros temas

No discurso de 18 minutos, Lula também:

  • defendeu a regulação das redes sociais;
  • destacou a necessidade de combater a fome global;
  • pediu reformas no sistema multilateral, reforçando o papel do Brasil como voz do Sul Global.

Tradição brasileira

O Brasil, por tradição, é o primeiro país a discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU. A edição de 2025 reúne representantes de 193 países entre os dias 22 e 24 de setembro.