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Eleições 2026: eleitor brasileiro clama por estabilidade institucional e pelo fim do populismo econômico

Nem um pacote de bondades de R$ 411 bilhões livrou o Presidente Lula de terminar o primeiro turno atrás.

Eleições 2026: eleitor brasileiro clama por estabilidade institucional e pelo fim do populismo econômico

Acachapante. Não há outra palavra para o recado das urnas no último domingo, 04/10, pelo menos no Congresso e nos estados. A direita conquistou 33 das 54 vagas em disputa no Senado. Somada ao centro, elegeu 17 dos 20 governadores definidos no primeiro turno. Na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro saiu na frente, com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula. A disputa só termina no dia 25. Mas um presidente que busca a reeleição com a máquina pública nas mãos e termina o primeiro turno atrás já recebeu um aviso claro.

O sucesso eleitoral da direita na eleição de 2026 decorre de uma mudança importante na disputa política do país. Desde a primeira eleição direta após o Regime Militar, em 1989, a política brasileira ficou marcada pela disputa entre petismo e antipetismo. Em 2022, esse cenário mudou. A disputa passou a ser entre bolsonarismo e anti-bolsonarismo. Em 2026, a direita cresceu novamente ao formar uma coalizão mais ampla de centro-direita. Ela uniu duas forças: o tradicional antipetismo e a reação ao ativismo judicial.

Essas duas forças traduzem o descontentamento da população com dois graves problemas nacionais, agravados pelo governo Lula. O primeiro é a corrosão institucional. Em vez de focar em governar e implementar sua pauta política com eficiência, o governo preferiu alinhar ações e discursos com os ministros do Supremo. Também passou para o Judiciário a tarefa de enfrentar Jair Bolsonaro e seus aliados.

O ativismo exagerado de parte do Judiciário desviou a atenção da sociedade dos problemas estruturais do país. Inquéritos sem prazo para terminar, nos quais um ministro atua simultaneamente como vítima, investigador e juiz. Réus do 8 de Janeiro receberam penas de 14 anos, como a cabeleireira que pichou uma estátua com batom. Um ministro, em um congresso estudantil, comemorou dizendo: “nós derrotamos o bolsonarismo”. Isso gerou um sentimento geral de injustiça, que enfraqueceu a confiança e o respeito pelo próprio Poder Judiciário. Quando um juiz fala como militante, ninguém mais acredita que ele julga como juiz.

O eleitor, portanto, percebeu que, sem limites institucionais, não há justiça nem desenvolvimento. Em um país onde os desejos pessoais dos juízes ficam acima da lei, não há como construir uma economia forte. Como Lula fez questão de se aproximar de membros do Poder Judiciário, os abusos dos ministros passaram a ser vistos pelo eleitor como abusos do próprio governo.

O segundo motivo de insatisfação é a gestão macroeconômica do país. Nos últimos anos, o país seguiu uma política econômica populista. Antes mesmo de assumir o cargo, Lula aprovou a PEC da Transição, que aumentou os gastos públicos e acabou com o Teto de Gastos. Meses depois, esse teto foi trocado por um Arcabouço Fiscal que não consegue controlar a dívida pública brasileira. O ambiente de negócios também piorou, com maior intervenção do Estado, aumento constante de impostos e incerteza quanto às regras. Para piorar, o governo ampliou bastante o crédito, principalmente por meio de bancos públicos.

O resultado dessas políticas foi colocar o Brasil entre os países com as maiores taxas de juros reais do mundo. O país bate recordes de recuperações judiciais e de endividamento das famílias. A dívida pública segue em alta. Esse é o paradoxo que o Planalto não soube entender. O desemprego caiu para níveis mínimos históricos e a renda do trabalho aumentou. Mesmo assim, o eleitor não se sente mais rico. E não poderia mesmo. Com juros tão altos, boa parte da renda extra vai direto para o pagamento de dívidas. A inflação dos alimentos consome o que sobra. A família que parcela a fatura do cartão entende isso melhor do que muitos economistas de Brasília.

Nem mesmo o “pacote de bondades” de Lula, que segundo levantamento do Poder360 soma R$ 411 bilhões entre gastos, renúncias e crédito anunciados ou ampliados no ano eleitoral, conseguiu melhorar a visão sobre o governo. Lula simplesmente não percebeu que, em um país sem credibilidade fiscal, o estímulo do governo tem pouco ou nenhum efeito positivo.

Quando o mercado não acredita que o governo vai pagar sua dívida com superávits no futuro, a política fiscal passa a definir a inflação e as taxas de juros. Cada real gasto sem respaldo aumenta o risco e as expectativas de inflação, o que obriga o Banco Central a manter a Selic alta. O Tesouro pisa no acelerador, mas o Copom pisa no freio; o resultado são juros mais altos sobre a própria dívida. Não é surpresa que Lula não tenha percebido isso. Ele mesmo disse que “os livros de economia estão superados”. O problema é que ninguém avisou os livros.

As urnas deram um recado claro. O eleitor quer responsabilidade fiscal, reformas estruturais e instituições fortes e confiáveis. Isso mostra que a sociedade está amadurecendo e começa a rejeitar falsas promessas populistas. Prefere o caminho difícil, mas constante, do desenvolvimento guiado por instituições sólidas, disciplina fiscal e previsibilidade.

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