
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que vai recorrer da decisão que absolveu dois réus no Caso Ana Beatriz. O julgamento foi realizado nesta quinta-feira (25), em Florianópolis.
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Para o promotor de Justiça Jonnathan Augustus Kuhnen, que atuou no júri, as provas reunidas durante a investigação apontam a participação dos acusados nos crimes.
Por esse motivo, o MPSC afirmou que discorda do resultado.
Segundo o titular da 37ª Promotoria de Justiça, um dos homens julgados, de 63 anos, teria participado diretamente das violências que resultaram na morte da adolescente, incluindo o crime de estupro de vulnerável.
O outro réu, de 55 anos, teria interferido na investigação ao alterar elementos que poderiam servir como prova.
O promotor afirmou que o Ministério Público respeita a decisão dos jurados, mas entende que existem elementos suficientes para pedir a revisão do resultado.
Ana Beatriz Schelter tinha 12 anos quando saiu de casa a pé, por volta das 13h do dia 2 de março de 2016, em Rio do Sul, no Vale do Itajaí. Ela seguia para a escola, onde cursava o sétimo ano, mas nunca chegou ao destino.
O desaparecimento foi registrado pelo pai da adolescente ainda naquela noite. Na manhã seguinte, o corpo da menina foi encontrado dentro de um contêiner às margens da BR-470.
A perícia descartou a hipótese inicial de suicídio no caso Ana Beatriz e apontou que a cena havia sido montada para simular um enforcamento. O laudo confirmou que Ana Beatriz sofreu violência sexual e morreu por asfixia.
O MPSC denunciou três réus no âmbito da Operação Fênix, conduzida pelo GAECO de Blumenau, sob coordenação da 3ª Promotoria de Justiça de Rio do Sul.
Um dos acusados, apontado como principal autor do crime, já havia sido condenado em 12 de maio deste ano pelos crimes de estupro de vulnerável, homicídio qualificado por feminicídio e fraude processual.
No caso Ana Beatriz, a pena do réu condenado foi fixada em 58 anos e nove meses de prisão em regime fechado, além de nove meses e 26 dias de detenção em regime semiaberto.
Desde o início das investigações, segundo o Ministério Público, ficou comprovado que houve estupro e homicídio, afastando a versão inicial de suicídio.
A apuração apontou que o primeiro réu era conhecido da família, acompanhava a rotina da vítima e teria se aproveitado dessa proximidade para cometer o crime.
Ainda conforme o MPSC, no dia do crime, dois dos denunciados teriam oferecido carona à adolescente durante o trajeto até a escola.
Com ela no veículo, os envolvidos teriam seguido para um local não identificado, onde os crimes foram cometidos.
O julgamento dos dois últimos acusados foi transferido de Rio do Sul para Florianópolis após pedido apresentado pela defesa. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina aceitou a solicitação em fevereiro de 2026.
A transferência do júri, chamada de desaforamento, é prevista em lei e pode ocorrer quando se entende que a grande repercussão do caso pode influenciar o ambiente do julgamento.
O Ministério Público não recorreu da decisão que levou o julgamento para a Capital, embora afirmasse não ver impedimento para que o júri ocorresse em Rio do Sul. Segundo o órgão, a prioridade foi evitar que o processo se prolongasse ainda mais, em respeito à memória da vítima e aos familiares.
O processo foi desmembrado por decisão judicial. Por isso, os três réus não foram julgados juntos. O primeiro julgamento resultou na condenação do acusado apontado como principal autor.
Nesta quinta-feira, o júri analisou a situação dos outros dois réus denunciados pelo MPSC, que acabaram absolvidos.
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