Terrenos de luxo em Jurerê Internacional são vendidos ilegalmente sem conhecimento dos proprietários

Prejuízo dos donos dos imóveis chega a R$ 12 milhões
Por: Ana Horst
em 15/04/2026 às 15:21 - Atualizado há 58 minutos.
jurerê internacional
Foto: Divulgação.

Uma operação desarticulou nesta quarta-feira (15) a venda ilegal de terrenos milionários em Jurerê Internacional, um dos bairros ‘de luxo’ de Florianópolis. Organizações criminosas interestaduais negociavam os imóveis por meio de fraude identitária, sem que os reais proprietários soubessem.

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A PCSC (Polícia Civil de Santa Catarina), por meio da DCE/DIC (Delegacia de Combate a Estelionatos do Departamento de Investigações Criminais), identificou cinco imóveis da capital que foram vendidos sem o conhecimento das vítimas.

Segundo a investigação, um proprietário teve sua conta Gov.br hackeada, e foi incluído no quadro de uma empresa fantasma. O terreno da vítima foi incluído como parte do capital social da empresa e vendido pelos golpistas para um comprador — que, até onde se sabe, não teria conhecimento da origem fraudulenta do acordo.

policia civil em jurerê internacional
Foto: PCSC/Divulgação

Outros quatro terrenos de Jurerê Internacional foram negociados a partir de uma procuração falsa, identificada em um cartório de Pacatuba, no Ceará. Os reais proprietários ficaram em um prejuízo especulado em R$ 12 milhões.

Depois que os pagamentos eram realizados aos golpistas, o dinheiro era dissipado em diversas contas bancárias, para não lançar suspeitas na Justiça e impedir a recuperação total do valor. Conforme a PCSC, o esquema envolvia fraude digital, com o uso indevido de assinaturas do portal Gov.br para alterações societárias fraudulentas, além do uso de procurações falsas para a lavratura de escrituras sem a anuência das vítimas.

Foram cumpridos 10 mandados de prisão temporária e 18 de busca e apreensão em sete municípios espalhados pelo Brasil:

  • Boa Vista (Roraima);
  • Brejo de Areia (Maranhão);
  • Caucaia (Ceará);
  • Fortaleza (Ceará);
  • Manaus (Amazonas);
  • Goiânia (Goiás);
  • Trindade (Goiás).

Os envolvidos responderão pelos crimes de estelionato (fraude eletrônica), associação criminosa e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem chegar a 21 anos de prisão.