Split Payment muda impostos e desafia o caixa das empresas

Novo sistema separa o imposto no momento da venda; o Split Payment promete ampliar o controle fiscal, mas exige ajustes das empresas no país

Resumo da Notícia

Novo sistema separa o imposto no momento da venda; o Split Payment promete ampliar o controle fiscal, mas exige ajustes das empresas no país

Split Payment muda arrecadação e exige adaptação de empresas
Foto: Imagem ilustrativa

A Reforma Tributária vai mudar não apenas os impostos cobrados no Brasil, mas também a forma como parte deles será recolhida, com o novo sistema Split Payment.

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O modelo prevê a separação automática do tributo no momento em que uma compra ou serviço é pago.

Com a implementação do Split Payment, o valor referente ao imposto será separado automaticamente e não passará integralmente pelo caixa da empresa.

A quantia correspondente à CBS, de competência federal, e ao IBS, administrado por estados e municípios, será direcionada ao sistema de arrecadação, enquanto o fornecedor receberá o valor líquido da operação.

A proposta busca aumentar a rastreabilidade dos pagamentos, reduzir a inadimplência e dificultar fraudes.

Ao mesmo tempo, a nova dinâmica exigirá adaptações tecnológicas e uma revisão do planejamento financeiro das empresas.

Como funcionará a cobrança automática com o Split Payment

Na prática, o Split Payment será integrado aos documentos fiscais eletrônicos e aos meios de pagamento.

A partir dos dados da operação, a plataforma pública fará o cálculo do tributo e informará quanto deve ser separado antes do repasse ao vendedor.

A regulamentação prevê uma implementação gradual.

Em 2026, a CBS e o IBS passam por um período de testes, com foco na adaptação dos sistemas e no cumprimento das novas obrigações.

A implantação do mecanismo de pagamento fracionado deverá avançar por etapas, de acordo com normas da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS.

O modelo terá procedimentos diferentes conforme o tipo de operação.

Na modalidade inteligente, o sistema poderá considerar os débitos e créditos vinculados à transação para definir o valor a ser recolhido.

Já o procedimento simplificado poderá aplicar percentuais previamente definidos, especialmente em vendas ao consumidor final.

Impacto no caixa com o Split Payment preocupa empresas

A principal mudança para o setor produtivo estará no fluxo de caixa.

Atualmente, muitas empresas recebem o valor total da venda e recolhem os tributos posteriormente.

Com a retenção automática, esse recurso deixa de ficar temporariamente disponível para financiar despesas da operação.

Por isso, negócios com margens reduzidas ou grande volume de vendas ao consumidor deverão rever projeções, capital de giro e contratos.

Também será necessário adaptar sistemas de gestão, notas fiscais, plataformas de pagamento e rotinas contábeis para que as informações sejam transmitidas corretamente.

Outro ponto de atenção envolve cancelamentos, devoluções e pagamentos feitos a maior.

O funcionamento do novo modelo dependerá de mecanismos rápidos de ajuste e restituição, evitando que erros de cálculo ou alterações na operação prejudiquem o caixa das empresas.

Preparação deve envolver várias áreas

Para que o Split Payment não provoque impactos inesperados, as empresas devem iniciar o mapeamento das operações tributárias e identificar quais processos serão afetados.

A preparação deve envolver os setores fiscal, financeiro, contábil, jurídico, comercial e de tecnologia.

Entre as medidas estão a atualização de sistemas, a revisão do fluxo de recebimentos, a simulação de cenários e o treinamento das equipes.

A Reforma Tributária prevê uma transição gradual para o novo modelo de tributação sobre o consumo.

A CBS substituirá PIS e Cofins, enquanto o IBS assumirá progressivamente o lugar do ICMS e do ISS.

A implantação completa do novo sistema está prevista para 2033.

Apesar da promessa de tornar a arrecadação mais automática e transparente, o sucesso da mudança dependerá da integração entre governo, instituições financeiras e empresas.

A capacidade de adaptação tecnológica e financeira será decisiva para reduzir riscos e tornar a transição mais segura.

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