
Um trabalhador que recebe um salário mínimo de R$ 1.621 precisa dedicar, em média, 105 horas e 51 minutos da jornada mensal para comprar a cesta básica no Brasil.
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Segundo o levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que esse gasto médio de R$ 779,95 com a cesta básica compromete 52,02% do salário mínimo líquido.
Em junho, a cesta básica custou, em média, R$ 779,95 nas capitais brasileiras.
O valor representa uma pressão significativa sobre o orçamento das famílias, especialmente entre os trabalhadores que dependem do piso nacional.
Família precisaria de uma renda mensal cinco vezes maior
De acordo com o estudo, uma família composta por dois adultos e duas crianças precisaria receber R$ 8.110,92 para cobrir despesas essenciais, como cesta básica, alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência.

O valor necessário é aproximadamente cinco vezes maior que o salário mínimo vigente, fixado em R$ 1.621.
A diferença também aparece na comparação com o rendimento médio da população ocupada.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, indicam uma média de R$ 3.726 por trabalhador.
Mesmo esse rendimento fica cerca de R$ 4,4 mil abaixo do valor calculado como suficiente para manter uma família de quatro pessoas.
Florianópolis está entre as capitais mais caras para adquirir a cesta básica
A cidade de Florianópolis aparece entre as capitais onde o trabalhador precisa dedicar mais horas para adquirir a cesta básica.
Na capital catarinense, são necessárias 124 horas e 39 minutos de trabalho por mês.
O resultado coloca Florianópolis na quarta posição do ranking nacional, atrás de São Paulo, Cuiabá e Rio de Janeiro.

São Paulo lidera a lista, com 131 horas e 2 minutos de trabalho para a compra da cesta básica.
Na capital paulista, os alimentos básicos comprometem 64,39% do salário mínimo líquido.
Cuiabá aparece na segunda colocação, com 127 horas e 17 minutos.
O Rio de Janeiro registra 124 horas e 59 minutos, enquanto Porto Alegre completa as cinco primeiras posições, com 120 horas e 44 minutos.
Cesta básica: capitais do Nordeste exigem menos horas de trabalho
Aracaju apresentou o menor tempo necessário para adquirir os alimentos essenciais.
Na capital sergipana, o trabalhador precisa dedicar 85 horas e 34 minutos de sua jornada.

São Luís aparece em seguida, com 88 horas e 52 minutos.
Maceió registra 91 horas e 7 minutos, Natal exige 93 horas e 7 minutos e João Pessoa, 93 horas e 38 minutos.
Apesar dos resultados inferiores aos registrados nas capitais mais caras, o gasto continua comprometendo uma parcela relevante do orçamento dos trabalhadores.
Preço dos alimentos da cesta básica continua pressionando orçamento
Nos últimos 12 meses, o grupo de Alimentos e Bebidas acumulou alta de 3,82%.
Em junho, o custo médio dos produtos essenciais ficou 8,69% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.
Na comparação entre maio e junho, os preços aumentaram em 17 capitais e recuaram em outras dez.
Entre as maiores altas mensais estão Boa Vista, com 3,28%, Palmas, com 3,01%, Rio Branco, com 2,2%, e Porto Alegre, com 2,18%.
São Paulo apresentou o maior valor absoluto, com R$ 965,47.
Cuiabá registrou R$ 937,93 e teve a maior inflação acumulada em 12 meses, com avanço de 14,71%.
Aracaju teve o menor custo, de R$ 630,40. Já São Luís foi a única capital a apresentar redução no período de 12 meses, com queda de 0,09% e valor médio de R$ 654,73.
Feijão lidera as altas do mês
O feijão foi um dos principais responsáveis pelo aumento dos gastos com alimentação.
O tipo carioca ficou mais caro em todas as capitais, influenciado por problemas climáticos e pela redução da área plantada.
Em Manaus, a alta mensal chegou a 18,92%. No acumulado de 12 meses, o aumento alcançou 70,95% em Goiânia.
O feijão preto também subiu em todas as cidades pesquisadas, com destaque para Vitória, onde o avanço foi de 12,22%.
A carne bovina de primeira aumentou em 19 capitais, chegando a 3,10% em Boa Vista. O leite integral ficou mais caro em 16 cidades e teve alta de 5,39% em São Luís.
Por outro lado, alguns produtos apresentaram redução.
O café em pó diminuiu em 25 capitais, favorecido pelo avanço da colheita.
O açúcar também recuou em 25 cidades, enquanto o óleo de soja teve queda em 24.
O arroz agulhinha ficou mais barato em dez capitais, embora o dólar valorizado e o aumento das exportações tenham limitado reduções maiores.
Os dados mostram que a renda mensal considerada adequada permanece distante da realidade da maior parte dos trabalhadores brasileiros, ampliando as dificuldades para manter alimentação e demais despesas básicas.






