
Florianópolis recebe a 126ª Reunião do Fórum Nacional de Mobilidade Urbana nesta quinta-feira (10) e sexta-feira (11). Evento reúne especialistas e representantes de diferentes cidades para discutir os impactos do crescimento urbano e os desafios do transporte público.
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Entre as propostas debatidas estão a implantação do BRT Floripa, a expansão do transporte coletivo e a requalificação dos espaços urbanos para pedestres e ciclistas.
Durante o painel “Planejamento Urbano e Mobilidade para Pessoas em Florianópolis”, foram apresentados dados sobre a dependência dos veículos individuais e as dificuldades enfrentadas pelos usuários do transporte coletivo.
Pontos de ônibus distantes e carros individuais
Segundo o arquiteto urbanista e ex-secretário municipal de Planejamento Urbano, Michel Mittmann, Florianópolis passou de cerca de 196 mil habitantes nos anos 1980 para 535 mil em 2023. Atualmente, a cidade se aproxima dos 540 mil moradores.

Os dados apresentados indicam que 48% das viagens realizadas na Região Metropolitana de Florianópolis são feitas de carro ou motocicleta. Entre os trabalhadores que se deslocam para os bairros, 60% utilizam transporte individual.
O transporte coletivo, por outro lado, enfrenta problemas de velocidade e acesso. A média dos ônibus no horário de pico é de aproximadamente 8 km/h e, além disso, 86% das paradas ficam a mais de 260 metros de distância de outra parada.
Outro dado destacado durante o painel foi a baixa ocupação dos automóveis. Em média, cada veículo transporta 1,29 passageiro.
BRT aparece como alternativa de mobilidade
Uma das principais propostas discutidas no fórum foi o BRT Floripa, sistema que prevê corredores exclusivos para ônibus e busca reduzir os impactos do trânsito convencional sobre o transporte coletivo.

O projeto está relacionado à revisão do Plano Diretor e prevê a integração entre ônibus, ciclovias, calçadas e linhas alimentadoras. A proposta também inclui um anel central conectado aos corredores Norte e Sul e estações com diferentes configurações para facilitar o acesso aos principais eixos de deslocamento.
Para Mittmann, o BRT pode contribuir para transformar não apenas o transporte coletivo, mas também a estrutura urbana da Capital.
Prefeitura busca financiamento para BRT
O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, afirmou que o município já tem um projeto de BRT em análise na Caixa Econômica Federal. A proposta integra um plano de mobilidade que prevê a implantação de um anel viário no entorno do Maciço do Morro da Cruz.

O projeto tem orçamento estimado em R$ 159 milhões e prevê cerca de 10 quilômetros de extensão, conectando regiões como Beira-Mar, Trindade, Universidade, Saco dos Limões e o Centro.
Segundo o prefeito, a expectativa é obter a aprovação do financiamento no último trimestre de 2026. A intenção é lançar a licitação no fim deste ano ou no início de 2027.
Topázio informou que metade dos recursos necessários para o anel viário já está garantida, enquanto outra parte está sendo viabilizada por meio de financiamento do Banco Interamericano.

A previsão é que o trajeto completo seja percorrido em aproximadamente 14 minutos. O sistema também deve oferecer intervalos regulares entre os ônibus e maior previsibilidade nos horários de chegada.
Transporte marítimo na capital
Para a prefeitura, as propostas de novos meios de transporte podem incentivar motoristas a deixar o carro em casa em deslocamentos entre regiões como o Centro e a Universidade Federal de Santa Catarina.
O prefeito defende a integração entre modais — métodos de locomoção de pessoas —, com expansão nos ônibus, novo BRT, melhores ciclovias e calçadas para caminhar, além de um transporte aquaviário.
“Florianópolis está em uma discussão grande para conseguirmos viabilizar economicamente o transporte marítimo”, explicou Topázio Neto à Jovem Pan News. “Nossas rotas são muito curtas, o que faz com que a questão econômica seja difícil de ser equacionada, mas estamos trabalhando e a mobilidade marítima é uma das opções.”







