A coragem de mudar de opinião

Num mundo em constante transformação, rever convicções não é sinal de fraqueza, mas de inteligência, maturidade e capacidade de evoluir

A coragem de mudar de opinião
Foto: Unsplash/Reprodução

Cada vez mais, no mundo atual, encontramos verdadeiras tribos formadas em torno dos mais diversos propósitos: há aqueles que vivem em função do trabalho, da saúde, do corpo, da beleza, da magreza e de tantas outras escolhas. Cada uma dessas tribos acaba criando suas próprias convicções e orientações e uma opinião clara, muitas vezes tratadas como verdades absolutas e praticamente imunes a qualquer possibilidade de revisão.

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O problema começa quando alguém passa a falar sobre determinado tema com a convicção de que é dono da verdade, sem admitir qualquer conjectura ou interpretação diferente. Essa postura beira a irracionalidade, especialmente porque a própria história demonstra que muitas verdades consideradas incontestáveis em determinada época acabaram sendo revistas com o passar dos anos.

Ser maleável, permitir-se raciocinar a partir de novos princípios e admitir que nossas convicções podem mudar representa uma verdadeira oxigenação cerebral. Vale aqui a lembrança do saudoso Raul Seixas, que eternizou a ideia de que é melhor ser uma “metamorfose ambulante” do que permanecer preso a uma velha opinião formada sobre tudo.

O mundo é volátil. As coisas são transitórias, mutáveis e constantemente sujeitas a novas interpretações. A rigidez excessiva diante de determinado raciocínio pode nos impedir de avançar e de enxergar a vida sob novas perspectivas.

A própria trajetória da humanidade demonstra isso. Há pouco mais de 120 anos, o avião sequer fazia parte da realidade humana. Hoje, estamos instantaneamente conectados a praticamente qualquer pessoa na face da Terra que possua um telefone celular. Algo que, décadas atrás, poderia parecer um devaneio futurista digno da família Jetsons, tornou-se absolutamente cotidiano.

A mente humana é capaz de avançar muito além do que imaginamos. Por isso, talvez uma das maiores demonstrações de inteligência não esteja em sustentar eternamente uma convicção, mas em possuir capacidade suficiente para rever sua opinião quando novos conhecimentos, novas experiências e novas realidades assim exigirem.

Deixemos, portanto, a vida nos apresentar novos caminhos. Sejamos suscetíveis a novas interpretações e a novos conhecimentos, sem permitir que travas mentais relacionadas a determinados assuntos nos impeçam de enxergar alternativas, soluções e possibilidades para um mundo que jamais deixou, e jamais deixará, de se transformar.

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