
Saber contra quem disputa não é suficiente. É preciso explicar pelo que se disputa. E é justamente aí que João Rodrigues (PSD) encontra seu principal desafio nesta pré-campanha. Na maior parte de suas manifestações públicas, o pré-candidato ainda não consegue responder de forma objetiva qual será a marca de um eventual governo.
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As críticas ao governador Jorginho Mello (PL) ocupam espaço, produzem repercussão e fazem parte da estratégia eleitoral. Mas, até aqui, carece de uma bandeira clara, propostas consistentes e uma narrativa capaz de convencer o eleitor de que existe um projeto para Santa Catarina além da oposição ao atual governo.
Nenhuma campanha vence apenas apontando os erros do adversário. A crítica é uma ferramenta importante na disputa política. Serve para desgastar, comparar gestões e provocar o debate. Mas ela precisa caminhar ao lado de propostas concretas. O eleitor quer saber o que será diferente, quais prioridades serão assumidas e que rumo o Estado seguirá.
O principal problema da pré-campanha de João Rodrigues é justamente a falta dessa direção. Sua agenda pública ainda é esparsa, sem uma sequência de ações capaz de consolidar uma mensagem. Não há, até o momento, uma bandeira facilmente identificável que sintetize sua candidatura e faça o eleitor associar seu nome a uma causa, uma ideia ou um compromisso.
Enquanto a pré-campanha seguir concentrada em criticar Jorginho Mello, sem uma bandeira clara e um conjunto consistente de propostas, a candidatura continuará correndo atrás de uma narrativa que ainda não encontrou.
O desafio aumenta porque o principal alvo dos ataques chega à disputa em posição confortável. Com índices elevados de aprovação, Jorginho obriga a oposição a fazer mais do que apontar problemas: exige a apresentação de um projeto convincente de futuro. Até aqui, João sabe contra quem disputa. O eleitor ainda espera entender pelo que disputa.