O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) está investigando indícios de migração ilegal de pessoas em situação de vulnerabilidade social para Florianópolis. A cena se repete. No último dia 4 deste mês, um ônibus da empresa Daniel Turismo teria trazido dezenas de passageiros que desembarcaram entre o Titri (Terminal de Integração da Trindade) e o CIC (Centro Integrado de Cultura), na Capital.
O caso veio à tona por meio de uma representação do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) do Centro de Florianópolis. Por essa e outras ocorrências semelhantes, o órgão instaurou um procedimento administrativo que apura o encaminhamento de pessoas vulneráveis para a Capital.
“Em São José e Criciúma a investigação está concluída, e hoje vamos encaminhar recomendações para esses municípios para que não pratiquem mais essa ilegalidade”, disse o promotor de Justiça Daniel Paladino.
Já no caso da Bahia, o documento do Conseg detalha que recebeu denúncia de “vários ônibus fazendo o mesmo procedimento irregular e com sérias suspeitas de que essas pessoas não têm condições mínimas de se estabelecer em Florianópolis”.
O documento aponta ainda que “considerando que no dia 4 de janeiro teve operação da força-tarefa do Doa [Defesa, Orientação e Apoio a Pessoas em situação de rua], tivemos a materialidade deste método irregular de migração de pessoas no bairro Trindade e, com apoio da Polícia Militar, anexamos as fotos do que foi encontrado no momento da abordagem”.
Havia também uma listagem de passageiros [44 pessoas] e uma nota fiscal em papel e não eletrônica de frete de passageiros provenientes de Teofilândia (BA), com escala em São Paulo.
“A desculpa do motorista é de que eram turistas, porém, nenhuma passagem de volta havia sido comprada ou foi apresentada. Nenhum passageiro quis falar sobre assunto com a autoridade policial, ficando evidente que há uma lei do silêncio nesta migração de pessoas, que torna tanto mais suspeito tal procedimento”, diz o Conseg na representação.
Conforme o promotor Paladino, da 30ª Vara de Justiça da Capital, que recebeu a denúncia do Conseg, os migrantes da Bahia não necessariamente são pessoas em situação de rua.
“Pode haver também [pessoas em situação de rua] nesse universo, porém, são pessoas que estão sendo despachadas para cá sem vínculo com a cidade. Teoricamente, para buscar emprego, mas o que causa mais suspeita é que o ônibus foi abordado nas imediações do Titri. As pessoas simplesmente desembarcaram e cada um seguiu o seu caminho”, questiona o promotor.
A fim de apurar mais esse caso, Paladino oficiou a prefeitura de Teofilândia para que esclareça o motivo da viagem, a regularidade com que é feita, o responsável pelo pagamento do serviço e o fato de as pessoas terem desembarcado ou terem sido largadas na marginal da Beira-Mar e não na rodoviária Rita Maria.
Com informações de ND+.
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