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Indígenas devem recorrer ao governo federal para construção da casa de passagem no Tisac, em Florianópolis

Indígenas devem recorrer ao governo federal para construção da casa de passagem no Tisac, em Florianópolis
Foto: Google Street View/ Reprodução

Os indígenas que residem no Tisac (Terminal de Integração do Saco dos Limões) devem buscar outros meios fora da prefeitura de Florianópolis para resolver a questão da casa de passagem Goj Ta Sá, caso o atual prazo para a reforma do local não for cumprido.

Um dos meios é a busca de recursos junto ao Ministério dos Indígenas, em Brasília, e isso se deve à série de tentativas mal sucedidas com o município para a construção de um local adequado. A última partiu de uma recomendação do Ministério Público, para que a prefeitura faça a reforma de acordo com um projeto da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

A Procuradoria Geral do município estabelecerá um prazo de 90 dias para que a construção seja iniciada. Caso não seja cumprido, o município estará sujeito a uma multa, com valor ainda não informado pela prefeitura, e os indígenas recorrerão a outras medidas para ter a casa de passagem construída.

“A gente tá dando a nossa conversa final. Depois desses 90 dias, se a prefeitura não investir nesse projeto aqui, a gente vai para outra luta que nós vamos achar os apoiadores para construir essa casa de passagem, porque esse espaço aqui a gente não vai desocupar. Se a gente ir para a nossa aldeia, sempre vai ter outras etnias, porque aqui é um espaço para benefício de todas elas”, explica o cacique do ponto de cultura e casa de passagem indígena Goj Ta Sá, Sabraque Lopes, da etnia Kaigang.

Indígenas devem recorrer ao governo federal para construção da casa de passagem no Tisac, em Florianópolis
Foto: Apufsc/Divulgação

Além da etnia Kaigang, a casa de passagem acolhe indígenas das outras duas remanescentes do Sul do país: Guarani e Laklaño Xokleng. Com o intuito de atender a demanda desses povos que vem para a Capital do Estado para vender artesanatos, uma equipe do departamento de arquitetura da UFSC elaborou o projeto, que foi aprovado pelo Ministério Público e pelos presentes atualmente na Casa de Passagem.

O professor responsável por coordenar a elaboração do projeto, Ricardo Sokas, destaca que a reforma do Tisac, além de dar melhor condição para os povos originários que vêm para Florianópolis, também vai dar a oportunidade para que o município crie espaços para a valorização da cultura indígena.

“Essa demanda surge da necessidade de garantir abrigo e segurança para as dezenas de famílias que vêm para Florianópolis vender seu artesanato, que é parte de um processo cultural e econômico importante para a garantia de subsistência dessas famílias”, ressalta.

Esse embate entre ocupantes e prefeitura já é antigo. Em 2016, desde que o Tisac, abandonado desde 2005, se tornou uma casa de passagem indígena, o Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública para a construção desse espaço.

Indígenas devem recorrer ao governo federal para construção da casa de passagem no Tisac, em Florianópolis
Foto: Unesp/Divulgação

E, desde 2019, o processo pelo direito indígena ao local em Florianópolis tramita na 6ª Vara Federal para o cumprimento provisório da sentença por parte do município. Diversas alternativas já surgiram, por exemplo, a utilização do terreno ao lado, já cedido pela União para construção.

Porém, por entraves, ou por parte dos indígenas ou da prefeitura, uma solução nunca foi encontrada.

Até o fechamento desta matéria, a prefeitura preferiu não se pronunciar sobre o assunto.

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