
O MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) resgatou duas mulheres vítimas de trabalho análogo à escravidão em operações realizadas durante o mês de maio em SC. As ações ocorreram nos municípios de Benedito Novo, no Vale do Itajaí, e em Florianópolis, com apoio da PF (Polícia Federal), Ministério Público do Trabalho (MPT), Defensoria Pública da União (DPU) e equipes de assistência social e psicologia.
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Em Benedito Novo, uma mulher de 40 anos foi encontrada vivendo em situação de exploração doméstica dentro de uma propriedade rural da própria família. Segundo a fiscalização, ela era obrigada a realizar serviços domésticos desde a infância, sem receber salário, sem liberdade e em condições consideradas degradantes.
A operação aconteceu no dia 12 de maio após denúncias de violações de direitos humanos e trabalhistas. De acordo com os auditores do trabalho, a vítima enfrentava jornadas exaustivas, isolamento social e restrição de locomoção.
Durante a chegada das equipes, familiares tentaram impedir a fiscalização e ameaçaram os agentes públicos, inclusive com facas. Após o controle da situação, os fiscais conseguiram conversar com a mulher, que demonstrava medo de deixar o local e apresentava sinais de neurodivergência.
Os auditores também encontraram condições precárias de moradia e relatos de moradores indicando que a vítima quase nunca saía da propriedade.
Na mesma área, a fiscalização identificou uma serraria funcionando de forma irregular. Trabalhadores atuavam sem registro em carteira, sem equipamentos de proteção e expostos a riscos graves de acidentes. Um dos funcionários afirmou trabalhar no local há mais de dois anos sem direitos trabalhistas garantidos.
Já em Florianópolis, outra operação resgatou uma trabalhadora doméstica etíope, de 34 anos, em uma residência localizada no bairro Rio Tavares.
Segundo o MTE, a mulher foi contratada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, por meio de uma empresa estrangeira de serviços domésticos e trazida ao Brasil sem visto regular de trabalho por um casal formado por um brasileiro e uma mulher árabe.
A vítima relatou que trabalhava diariamente das 7h às 22h30, inclusive nos fins de semana, realizando limpeza da casa, preparo de refeições, cuidados com crianças e até com animais de estimação.
Além da carga horária excessiva, ela denunciou episódios constantes de violência psicológica, com gritos, ameaças, humilhações e intimidações. Também relatou tentativas de agressão física e arremesso de objetos.
Os empregadores ainda mantinham os documentos pessoais da trabalhadora, incluindo o passaporte, dificultando qualquer tentativa de sair da residência ou pedir ajuda.
Com medo, a mulher fugiu da casa durante a noite levando apenas as roupas que vestia e um celular. Sem falar português, conseguiu pedir ajuda utilizando ferramentas de tradução no aparelho.
Ela foi acolhida inicialmente por serviços públicos de segurança, saúde e assistência social, que acionaram o Ministério do Trabalho para atendimento especializado.
Mesmo após deixar a residência, a vítima informou ter continuado recebendo mensagens intimidatórias dos empregadores. Segundo o relato, eles exigiam pagamento de supostas dívidas relacionadas a passagens aéreas, alimentação e emissão de vistos para devolver seus documentos e pertences.
Nos dois casos, as trabalhadoras receberam atendimento nas áreas de saúde, assistência social e apoio psicológico. Os órgãos envolvidos também adotaram medidas para investigar os responsáveis e apurar possíveis crimes.
O Ministério do Trabalho reforçou que o trabalho análogo à escravidão pode ser caracterizado não apenas pela privação física de liberdade, mas também por jornadas exaustivas, condições degradantes, retenção de documentos, violência psicológica e outras formas de coação contra trabalhadores.
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