
Santa Catarina resgatou 1.131 trabalhadores de condições análogas à escravidão, prática ligada ao tráfico de pessoas, entre 1995 e 2024.
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O número representa uma média de aproximadamente 38 resgates por ano, segundo dados da plataforma SmartLab, que reúne informações do Ministério do Trabalho e Emprego.
No mesmo período, foram contabilizadas 158 ocorrências relacionadas ao aliciamento e à exploração de trabalhadores, além de 125 registros envolvendo crianças e adolescentes.
O tráfico de pessoas e o trabalho análogo à escravidão são crimes distintos, mas frequentemente ligados.
Em muitos casos, o tráfico é usado para aliciar, transportar e manter vítimas em situações de exploração e privação de liberdade.
Setor rural concentra vítimas do tráfico de pessoas em Santa Catarina
As atividades agropecuárias concentram a maior parte dos casos identificados no estado.
Conforme o levantamento, 63% dos trabalhadores resgatados atuavam no meio rural.
Jovens com idades entre 18 e 24 anos formam o perfil predominante entre as vítimas.
Os números também mostram que Santa Catarina aparece tanto como local de origem quanto como destino das pessoas exploradas.
Foram identificados 472 trabalhadores naturais do estado e outros 511 que residiam em território catarinense no momento do resgate.
O cenário evidencia a atuação de redes de aliciamento que atraem vítimas com falsas promessas de emprego, salários, moradia e melhores condições de vida.
Rede reúne instituições no combate ao tráfico de pessoas
Em Santa Catarina, o combate ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo é feito de forma integrada pelo FETPSC, coordenado pelo Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina, sob responsabilidade do procurador Acir Alfredo Hack.
A atuação concentra-se em casos de exploração sexual, trabalho análogo à escravidão, remoção ilegal de órgãos e adoção irregular.
A rede reúne instituições como Ministério Público Federal, Ministério do Trabalho e Emprego, Tribunal Regional do Trabalho, Polícia Federal, Polícia Científica, organizações de apoio aos migrantes e universidades.
O tráfico de pessoas está entre os crimes mais lucrativos do mundo e movimenta cerca de US$ 32 bilhões por ano.
A estimativa é de que 27 milhões de pessoas sejam vítimas desse tipo de exploração, que pode envolver remoção ilegal de órgãos, adoção irregular, exploração sexual e outras formas de violência.
Mulheres entre 18 e 29 anos representam 83% dos casos e estão entre as principais vítimas da exploração sexual.
Casos de tráfico de pessoas registrados em Santa Catarina
Entre as ocorrências recentes está o resgate de uma trabalhadora etíope levada ao Brasil por um casal que vivia em Dubai.
Em Florianópolis, ela teria sido submetida à retenção de documentos, restrição de liberdade e jornadas exaustivas de trabalho doméstico.
Outro caso foi o de Sônia Maria de Jesus, mulher negra, analfabeta e com múltiplas deficiências, retirada da família ainda criança.
Ela passou décadas trabalhando para uma família sem frequentar a escola, aprender Libras ou ter contato com a comunidade surda.
Sônia foi resgatada por uma equipe de fiscalização em junho de 2023 e encaminhada para uma unidade de acolhimento, onde recebeu assistência médica e educacional.
Posteriormente, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça determinou o retorno dela à residência da família investigada.
Outras fiscalizações realizadas pelo MPT e pelo Ministério do Trabalho também localizaram grupos de migrantes submetidos a condições degradantes após serem atraídos por falsas ofertas de emprego e moradia.
Campanhas contra o tráfico de pessoas serão realizadas durante agosto
Durante o Mês Azul, instituições que integram o FETPSC promoverão ações de conscientização, prevenção e fortalecimento da rede de atendimento às vítimas.
A programação prevê uma transmissão online sobre identificação e acompanhamento de pessoas exploradas, além de campanhas educativas no Aeroporto Internacional de Florianópolis e no Terminal Rodoviário Rita Maria.
Também serão distribuídos materiais informativos e exibidos vídeos de orientação ao público.
Representantes das instituições parceiras participarão das atividades.
Uma campanha nacional também busca alertar sobre o aliciamento e o trabalho em condições análogas à escravidão, com atenção especial à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
Autoridades reforçam que denúncias são fundamentais para interromper situações de exploração e responsabilizar os envolvidos.
Suspeitas podem ser comunicadas gratuitamente pelo Disque 100.






