
Em entrevista ao programa Jogo do Poder, apresentado por Emanuel Soares, o secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, coronel Fabiano de Souza, detalhou obras, compensações e ações que vão além do acordo judicial envolvendo a Barragem de José Boiteux, no Alto Vale catarinense.

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A Barragem de José Boiteux é apontada como a maior estrutura de contenção de cheias de Santa Catarina e passa por uma reforma emergencial para recuperar a operação das comportas.
Além da manutenção, o Governo do Estado afirma que está ampliando as medidas de compensação previstas em uma decisão judicial de 2007.
Segundo o secretário, a reforma emergencial da Barragem de José Boiteux tem investimento de aproximadamente R$ 10 milhões.
O contrato é de R$ 9,98 milhões e tem como objetivo recuperar a capacidade de operação da estrutura.
As demais obras e compensações relacionadas aos impactos causados durante a construção da barragem já superam R$ 30 milhões, conforme os dados apresentados pelo secretário.
Segundo o coronel Fabiano, o Governo do Estado está executando mais obras do que o previsto na decisão judicial.
Enquanto a sentença determinava a construção e recuperação de dez casas, o Estado trabalha atualmente em 46 unidades, sendo 36 além do número estabelecido.
Entre as medidas também está a abertura e a macadamização de cerca de 12 quilômetros de estrada para ligar uma das aldeias.
O serviço previsto inicialmente foi concluído, mas a comunidade solicitou o prolongamento do trecho em mais de um quilômetro e meio. Um novo contrato foi elaborado para atender ao pedido.
O conjunto de ações inclui ainda a construção de uma escola, duas igrejas, duas casas paroquiais, uma unidade sanitária e um campo de futebol.
Durante a entrevista, o secretário também comentou a manifestação realizada recentemente na região.
A cacique Fabiana, apontada pelo secretário como liderança geral das aldeias, não participou da última manifestação.
Ele disse manter uma relação de diálogo com a cacique Fabiana e com o procurador da República Renato de Rezende Gomes, que acompanha as discussões.
Fabiano afirmou que as demandas relacionadas aos impactos históricos da construção da barragem são tratadas diretamente com as lideranças e que há uma relação “excelente, ordeira e tranquila” com a cacique.
Ao comentar críticas sobre o andamento das obras, o secretário afirmou que circulam “muitas notícias falsas, com objetivos escusos”.
Segundo ele, algumas informações indicam que as casas não estariam sendo construídas, mas as obras ficam distribuídas em diferentes pontos da terra indígena.
De acordo com Fabiano, algumas unidades já foram entregues, enquanto outras estão em execução.
Na parte técnica, uma das duas comportas continua emperrada na posição fechada.
Peças internas foram retiradas e encaminhadas para usinagem. O objetivo é recuperar a operação da Barragem de José Boiteux independente das duas comportas antes do período de maior volume de chuvas.
A reforma também prevê a recuperação das casas de máquinas danificadas durante um protesto em 2022.
A estrutura tem capacidade para armazenar cerca de 357 milhões de metros cúbicos de água.
Conforme o secretário, manter uma das comportas fechada contribui para a contenção durante períodos de chuva intensa, mas não representa a condição ideal, já que o sistema precisa permitir a abertura e o fechamento sempre que necessário.
A expectativa é que a barragem volte a operar de forma completa após a conclusão da manutenção e o retorno das peças que passam por recuperação.
O secretário não apresentou uma data exata, mas afirmou que os trabalhos seguem em ritmo acelerado.
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