
O Avaí entra em campo neste sábado, às 19h30min, nos Aflitos, em Recife, para disputar uma das partidas mais dramáticas de sua história recente. O Leão da Ilha, clube mais vezes campeão catarinense, está diante do risco de cair para a Série C, justamente a competição que conquistou em 1998 e da qual saiu para construir uma trajetória de acessos e permanência nas divisões superiores do futebol brasileiro. Agora, com 37 pontos, na 17ª colocação, e seis atrás do Náutico, o Avaí precisa vencer para continuar alimentando a esperança de escapar do rebaixamento. É um jogo de vida ou morte, uma decisão que exige personalidade, coragem e superação.
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A situação atual é consequência de uma temporada marcada por um início ruim, oscilações, escolhas equivocadas e contratações que não deram a resposta esperada. É verdade que o clube não dispunha de recursos para grandes investimentos, mas a limitação financeira não elimina a responsabilidade de acertar na montagem do elenco. O ataque é o retrato mais evidente dessa deficiência. Felipe Vizeu, de 29 anos, com passagem por Flamengo, Grêmio e futebol europeu, chegou com a expectativa de resolver problemas, mas deixou o Avaí sem marcar um único gol. Faltaram condição física, rendimento e, em determinados momentos, até o posicionamento adequado para que pudesse exercer sua função. Uma contratação que terminou em frustração, lembrando a passagem de Paolo Guerrero, em 2022, quando o peruano também não conseguiu balançar as redes pelo clube na Série A.
Decisão tática
É nesse cenário que Marquinhos Santos, maior ídolo da história recente do Avaí e maior artilheiro da Ressacada, com 61 gols, assume a responsabilidade de tentar evitar o desastre. O técnico interino enfrenta um dilema cruel: partir para o ataque em busca de uma vitória indispensável ou proteger a defesa e tentar surpreender o adversário nos contra-ataques.
O problema é que o Avaí não tem demonstrado força ofensiva suficiente para transmitir confiança. Mas, a esta altura, não há espaço para lamentações. É preciso encontrar uma fórmula competitiva, aproveitar as oportunidades e entender que cada dividida, cada defesa e cada finalização podem representar a diferença entre continuar na Série B ou mergulhar em uma crise ainda mais profunda.
Fora de campo, o momento também é decisivo. A recuperação judicial foi aprovada, a transação tributária está assinada e a possível venda de 90% da SAF para a Kactus Capital representa uma perspectiva de reorganização financeira e de novos investimentos. A empresa está no clube, realizando auditoria e preparando o contrato de aquisição.
Existe, porém, a preocupação de que um eventual rebaixamento possa comprometer as condições do negócio ou até afastar o investidor. Não se pode afirmar que isso acontecerá, mas o risco esportivo aumenta a pressão sobre todos. O Avaí precisa preservar seu principal ativo: a capacidade de competir em uma divisão nacional importante, enquanto tenta colocar as contas em ordem e reconstruir a confiança do torcedor.
O torcedor avaiano procura inspiração na história. Em 2005, também nos Aflitos, o Grêmio protagonizou a inesquecível Batalha dos Aflitos: depois de quatro expulsões, terminou a partida com apenas sete jogadores e venceu o Náutico por 1 a 0, com gol de Anderson, garantindo o acesso à Série A. Foi uma demonstração extraordinária de resistência, coragem e espírito coletivo.
O Avaí precisa escrever sua própria história, sem imaginar que basta repetir o passado para mudar o presente. Precisa jogar como quem compreende o tamanho da camisa que veste e a responsabilidade que carrega. Para o Leão da Ilha, este sábado é mais do que uma partida: é a luta para preservar sua história, sua grandeza e seu lugar na Série B. É hora de transformar a Batalha dos Aflitos em um grito de sobrevivência.






