
A PCSC (Polícia Civil de Santa Catarina) já indicou ou apurou a autoria de 38 dos 39 feminicídios registrados entre início de janeiro e a metade de setembro de 2026 no estado — o equivalente a 97,43% dos casos.
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Em 2025, todos os 53 feminicídios registrados ao longo do ano tiveram autoria indicada ou apurada, segundo os dados atualizados da instituição.
“São índices de resolutividade de crimes de feminicídio de primeiro mundo”, afirmou Patricia Zimmermann Dávila, coordenadora da DPCami, em entrevista à Jovem Pan News.
38 feminicídios registrados em 2026
Até 10 de setembro, Santa Catarina registrava 38 feminicídios. O número atualiza levantamentos anteriores da Polícia Civil: até o início de agosto, eram 34 casos em 2026, contra 27 no mesmo período de 2025.
A identificação da autoria pode ocorrer com maior rapidez em parte dos casos porque vítima e suspeito podem ter ou ter tido algum tipo de relação. Isso, porém, não elimina as etapas necessárias para reconstruir o crime, reunir provas e demonstrar as circunstâncias que caracterizam o feminicídio.
Suicídio após feminicídio
Segundo Patricia Zimmermann Dávila, “é muito alto o percentual de homens que cometem suicídio após cometerem feminicídio”. A coordenadora explica que, após cometer um crime contra alguma mulher próxima, a reação do homem — muitas vezes, o marido — é atentar contra a própria vida.
O principal motivo, conforme relata, é a não aceitação do fim de um relacionamento, o que resulta no crime hediondo contra a mulher e na posterior morte do autor.

Histórico de violência é um dos pontos a investigar
Um dos dados que ajudam a avaliar a prevenção é saber quantas das mulheres assassinadas haviam procurado anteriormente os serviços de segurança, registrado boletim de ocorrência ou solicitado medidas protetivas.
Também é verificado quantos dos autores já tinham histórico de violência doméstica. Informações como essas permitem analisar a atuação da rede de proteção antes da ocorrência dos feminicídios.
A PCSC mantém estruturas especializadas para o atendimento e investigação de casos de violência contra mulheres. A regulamentação atual prevê DPCAMIs e DEAMs (Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher).
O programa PC por Elas também reúne iniciativas de atendimento e prevenção, incluindo a Delegacia de Polícia Virtual da Mulher, Núcleos de Atendimento à Mulher, Salas Lilás e Salas de Acolhimento.
As Salas Lilás são destinadas ao atendimento reservado de mulheres vítimas de violência em municípios que não necessariamente possuem uma delegacia especializada. A Polícia Civil informa que o projeto busca garantir privacidade durante o atendimento.

Investigação é apenas uma etapa
Os números mostram uma diferença entre duas questões. A primeira é a capacidade de esclarecer os feminicídios depois que eles acontecem, pois, segundo os dados da Polícia Civil, a autoria foi indicada ou apurada em quase todos os casos registrados em 2026 e em todos os casos de 2025.
A segunda envolve a prevenção — ou seja, identificar mulheres em situação de risco, garantir acesso à proteção e impedir que episódios de violência doméstica evoluam para crimes letais.
Para dimensionar essa segunda etapa, seria necessário cruzar os registros de feminicídio com informações sobre boletins de ocorrência anteriores, medidas protetivas, reincidência de violência e tempo de resposta da rede de atendimento. Esses dados permitem avaliar o caminho percorrido entre o primeiro pedido de ajuda e a ocorrência do crime.
O que é índice de resolutividade
O índice de resolutividade utilizado pela Polícia Civil está relacionado à investigação dos crimes e não significa que os responsáveis já tenham sido condenados ou estejam presos. A apuração envolve a identificação da autoria, o esclarecimento das circunstâncias e a produção de provas para a conclusão do inquérito.
Depois do encerramento da investigação policial, o caso segue para as demais etapas do sistema de Justiça. Cabe ao Ministério Público analisar o inquérito e decidir sobre o oferecimento da denúncia, enquanto o Poder Judiciário é responsável pelas decisões processuais e pelo julgamento.
Por isso, um feminicídio pode ser considerado esclarecido pela Polícia Civil mesmo antes de resultar em denúncia, julgamento ou condenação definitiva. O percentual de 97,37% de 2026 corresponde aos casos com autoria indicada ou apurada, e não ao número de condenações.







