
A safra da tainha ganhou um novo respiro em Santa Catarina. O governo federal publicou, em edição extra do Diário Oficial da União desta quinta-feira (11), uma portaria que amplia 430 toneladas na cota da modalidade de pesca de arrasto de praia. Decisão foi do MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura).
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O movimento de ampliação das cotas veio após série de reclamações das comunidades litorâneas. Pescadores relataram prejuízo em determinados ranchos, especialmente pela baixa no preço, e políticos catarinenses se manifestaram em apoio à continuação da pesca.

“O problema da tainha sempre foi político”, afirmou o próprio governador Jorginho Mello em suas redes sociais nesta quarta-feira (10). “Pela primeira vez na história, o pescador foi impedido de pescar em plena safra da tainha.”
Segundo o MPA, apesar da abundância de tainhas em algumas regiões, diversas localidades registraram baixa captura devido às condições oceanográficas. Dos 25 municípios costeiros catarinenses, apenas três alcançaram volumes de pesca semelhantes aos registrados em anos anteriores.



A situação mais crítica foi observada no Litoral Norte, onde 12 dos 14 municípios da região não registraram produção da espécie nesta safra.
Com base nessa análise, o governo definiu uma cota adicional de 230 toneladas para o litoral centro-norte, abrangendo municípios como Governador Celso Ramos, Itajaí, Bombinhas, Porto Belo e São Francisco do Sul.
Outras 200 toneladas foram destinadas ao litoral centro-sul, contemplando municípios como Florianópolis, Palhoça, Garopaba, Imbituba e Laguna.

Todas as atividades de arrasto de praia para o peixe foram interrompidas após as capturas alcançarem 1.198,8 toneladas — cerca de 91% da cota prevista para a temporada.
A atividade pesqueira da tainha em território catarinense costuma ocorrer entre os meses de maio e julho, sendo que a liberação por lei é até dezembro. Dessa vez, a atual temporada de capturas durou apenas 38 dias antes do bloqueio.
Liberato Jorge, nativo do Sul da Ilha, com mais de 50 anos de atuação na pesca, contou em entrevista à Jovem Pan News as inseguranças: “eu não suporto essa cota. Isso não deveria existir para a pesca artesanal.”

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