Em meio a corte orçamentário, UFSC começa 2026 ‘devendo’ R$ 20 milhões

Com previsão de novo corte orçamentário em 2026, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina detalha ações para manter a UFSC funcionando
Por: Redação Jovem Pan News
em 08/01/2026 às 19:06 - Atualizado há 1 dia.
reitor ufsc
Foto: Reprodução/Youtube

Apesar da força-tarefa para enxugar gastos ao longo de 2025, a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) começa 2026 com R$20 milhões em contas do ano passado a serem pagas. Em maioria, as dívidas dizem respeito a contratos com serviços de limpeza, segurança, portaria – além do fornecimento de água e energia. A informação foi compartilhada pelo reitor Irineu Manoel de Souza durante o Ligado na Cidade desta quinta-feira (8). 

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De acordo com ele, houve uma economia de R$6,8 milhões em redução de custos ao longo de 2025. Em suma, o estancamento se deu a partir da revisão de 200 contratos em diferentes segmentos de prestação de serviço terceirizado; além do corte do pagamento de diárias à reitoria em viagens oficiais. 

“Fizemos um trabalho de revisão de contratos. Temos em torno de 200 contratos com empresas que atendem a Universidade. Fizemos um estudo técnico avaliando cada contrato, o que é possível construir sem provocar grandes demissões ou faltar com os pagamentos de nossos indenizados. Nisso, fizemos uma economia perto de R$5 milhões. Ainda, desde julho, o pessoal da reitoria não recebe diárias, somente passagens. As diárias são custeadas pelo salário do reitor. Nisso, economizamos mais de R$1,8 milhões”, disse. 

No entanto, o valor não foi o bastante para suportar o custo operacional da instituição – cujo corte orçamentário chegou a 57% apenas em 2025. 

“Fizemos negociações com as empresas para pagar essas contas no ano de 2026 com orçamento de 2026. então em torno de R$20 milhões foi dessas negociações para pagamento de limpeza, segurança, contrato de portaria, a conta com a Casan, a conta com a Celesc”, continua Irineu. 

A UFSC não paga a Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) desde agosto, após negociação para transferir o pagamento para 2026, confirmou o reitor. Quanto à Celesc (Companhia Energética de Santa Catarina), os últimos três meses (outubro, novembro e dezembro) foram parcelados para pagamento no ano seguinte.

Houve, ainda, um remanejamento das emendas parlamentares repassadas pela deputada federal Ana Paula Lima (PT). Inicialmente, o montante seria destinado a projetos de pesquisa e extensão. Dada a urgência, segundo o reitor, o dinheiro foi usado para manter o estudante dentro da UFSC. O valor dos recursos gira em torno de R$1 milhão.

“Conseguimos também negociar com o Foro Parlamentar Catarinense, a bancada catarinense. Foram enviadas emendas para atividades específicas e negociamos o remanejamento dessa atividade para 2026 para que pudéssemos usar esses recursos para pagamento das bolsas, tanto bolsas estudantis quanto de permanência, sempre com o estudo necessário para que seja feito sem desvio de finalidade”, prossegue.

Apesar das dificuldades, o reitor garantiu que as atividades acadêmicas não foram comprometidas

“A prioridade foi a manutenção do ensino, da pesquisa, da extensão, do Restaurante Universitário, da Moradia Estudantil”, afirmou. 

Os cortes mais severos atingiram as atividades administrativas. As pró-reitorias e secretarias não receberam recursos, e mesmo as diárias acadêmicas para participação em congressos e seminários foram cortadas em 50%.

Novo corte em 2026

Segundo o Projeto de Lei Orçamentária Anual aprovado pelo Congresso em dezembro para este ano, as universidades federais se preparam para um novo reajuste – agora, com corte de R$500 milhões.

A informação é da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), que analisou o texto aprovado. 

De acordo com a entidade, o valor representa uma redução de 7,05% nos recursos discricionários, que são aqueles referentes às despesas não obrigatórias, como contas de luz, de água, bolsas acadêmicas, insumos de pesquisa, compra de equipamentos, etc., das instituições. O resultado é o agravamento de “um quadro já crítico.”

O orçamento de custeio e capital na de 2025 na UFSC foi de R$ 171 milhões. O governo federal propôs inicialmente para 2026 cerca de R$ 177,5 milhões, uma correção de apenas 3,5% quando a inflação estiver em torno de 5%. Porém, o Congresso cortou 7,25% desse valor, aproximadamente R$ 12,9 milhões. Com isso, o orçamento aprovado para 2026 é de cerca de R$ 164,6 milhões, inferior aos R$ 171 milhões de 2025.

Ainda segundo o reitor, haverá uma reunião na Andifes para suplementação orçamentária das entidades de ensino públicas federais.

Por Bruno Gallas

Confira a entrevista com o reitor da UFSC na Jovem Pan News