
A entrevista coletiva do presidente Bernardo Pessi, na tarde desta terça-feira (3), na Ressacada, era aguardada com expectativa pelo torcedor do Avaí. Afinal, diante de uma campanha pífia na Série B e do rebaixamento praticamente consumado, era o momento de o dirigente apresentar explicações, assumir responsabilidades e, principalmente, apontar caminhos para tirar o clube da situação dramática em que se encontra. Pessi pediu desculpas, reconheceu que o desempenho foi injustificável e assumiu a responsabilidade pelo desastre. Mas a entrevista acabou sem trazer novidade concreta capaz de tranquilizar o torcedor.
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O presidente evitou reconhecer o rebaixamento, amparando-se na matemática, que ainda mantém uma remota possibilidade de permanência. É compreensível do ponto de vista institucional, mas a realidade dentro de campo aponta para um cenário praticamente irreversível. Pessi admitiu que o Avaí está em frangalhos, que o clube parou em março e que o fim de ano é desastroso. Também reconheceu que a situação financeira é extremamente delicada, com mais de R$ 1 milhão em compromissos mensais para pagamento de dívidas. Chegou a afirmar que a dívida é impagável.

Um dos pontos que ficaram sem esclarecimento foi a questão dos salários atrasados. Pessi alegou que não poderia fornecer informações por conta das regras do Fair Play Financeiro. O torcedor, entretanto, continua sem saber exatamente qual é o tamanho do problema e, principalmente, quando os compromissos com jogadores e funcionários serão regularizados. A crise financeira ajuda a explicar as dificuldades, mas não pode servir como resposta para todos os erros cometidos no futebol, especialmente nas contratações, no planejamento e na condução da temporada.
Aposta na SAF
Pessi voltou a garantir que o projeto da SAF com a Kactus Capital segue firme, independentemente da divisão em que o Avaí estiver em 2027. É hoje a principal esperança da direção para recuperar a capacidade de investimento e reorganizar o clube. Mas, enquanto não houver uma definição concreta sobre a operação, o Avaí continua vivendo de expectativas. A promessa de uma grande reforma administrativa, com cortes e mudanças em todos os escalões da Ressacada, também foi anunciada, mas sem detalhes sobre prazos, nomes ou medidas efetivas.
O presidente reconheceu que precisa fazer sua parte e disse que não vai pedir o apoio da torcida neste momento. A declaração é correta. Depois de uma temporada tão ruim, não cabe transferir ao torcedor a responsabilidade de sustentar o clube emocional e financeiramente sem que a direção apresente resultados. Também elogiou Marquinhos Santos e agradeceu por ter aceitado o desafio de comandar a equipe neste momento tão difícil.
Horizonte incerto
No fim das contas, foi uma entrevista de reconhecimento de erros, pedidos de desculpas e promessas para o futuro, mas sem apresentar respostas novas ou soluções imediatas. O Avaí está diante de uma crise que vai muito além do rebaixamento. Falta dinheiro, falta planejamento, falta capacidade de investimento e, sobretudo, falta um horizonte claro.
A SAF é uma esperança, a reforma administrativa é uma necessidade e a reconstrução será inevitável. Mas, por enquanto, o que se vê na Ressacada é uma direção concentrada em administrar a crise, tentando evitar que o estrago seja ainda maior. O torcedor queria ouvir um plano de reconstrução. Saiu com mais dúvidas do que respostas.






