Populismo eleitoral, reforma tributária e fim da escala 6×1 devem onerar muito o setor privado brasileiro

O governo fez o possível e o impossível para vencer as eleições. O grande problema é que as promessas políticas quase nunca se submetem às restrições econômicas. Promete-se abundância e esquece-se de que a economia é a ciência da escassez. O resultado é que a conta chega, cedo ou tarde, para alguém pagar.
Em 2027, as empresas brasileiras serão as primeiras a sentir o peso dessas promessas. A primeira e mais nociva será a Reforma Tributária. O Tribunal de Contas da União anunciou hoje que a alíquota de referência da CBS será de absurdos 11,3%. A palavra final é do Senado, mas o número já supera, e muito, a promessa inicial de uma alíquota inferior a 9%. O governo nem definiu a alíquota do Imposto Seletivo, o chamado imposto do pecado, mas já planeja arrecadar mais de R$ 40 bilhões. Os números confirmam o que já se suspeitava: vendida como simplificação, a Reforma Tributária veio para aumentar a carga tributária.
Outro desafio é o fim da escala 6×1. A Emenda Constitucional 141 foi promulgada dois dias depois de passar pelo Senado, com a pressa típica de ano eleitoral, e deu às empresas 60 dias para conceder a segunda folga semanal, em plena temporada de Natal. Um ano depois, a jornada cai de 44 para 40 horas sem redução de salário, e a hora de trabalho fica 10% mais cara. Uma loja aberta todos os dias, que hoje conta com dez funcionários, vai precisar de doze para vender exatamente o mesmo.
O governo inverteu a ordem das coisas. Nos países ricos, a jornada caiu porque a produtividade subiu. Aqui, a produtividade do comércio está parada há 30 anos, e a da indústria andou para trás. A conta virá na forma de automação, aumento da informalidade e preços mais altos. E quem a emenda prometia proteger vai ter que pagar uma conta mais alta no caixa da padaria, do supermercado e da loja de roupas.
As empresas ainda precisarão lidar com um cenário macroeconômico adverso. Os juros futuros de 10 anos saltaram de 12,75% antes da eleição para 15,11%. O dólar subiu de R$ 4,96 para R$ 5,35. É o mercado dizendo, com números, que não acredita no ajuste fiscal necessário para estabilizar as contas públicas. E a economia perde fôlego: o Boletim Focus projeta crescimento de apenas 1,31% em 2027.
Com custos em alta e receitas sob pressão, as empresas precisarão de mudanças profundas nas políticas públicas para assegurar sua solidez financeira. O difícil é acreditar que quem governa o país há quase vinte anos vá, justamente agora, trocar o populismo pela ciência econômica.






