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Construção modular avança no Brasil e ganha espaço no mercado residencial

Pesquisa da FGV IBRE aponta que 64,5% das empresas da construção já utilizam algum sistema industrializado

Construção modular avança no Brasil e ganha espaço no mercado residencial
Foto: Divulgação

A industrialização começa a ocupar um espaço cada vez maior na construção civil brasileira. Pesquisa do IBRE/FGV aponta que 64,5% das empresas do setor já utilizam algum tipo de sistema industrializado. A redução do prazo das obras é o principal motivo para a adoção, citada por 81,5% das empresas, seguida pela menor necessidade de mão de obra no canteiro, com 71,6%, maior controle dos custos, com 66%, e redução na geração de resíduos, com 63,9%.

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Os dados ajudam a dimensionar uma transformação que ocorre ao longo das diferentes etapas da construção. Sistemas e componentes produzidos em ambiente industrial já estão presentes em parcela significativa das obras brasileiras. A construção modular volumétrica amplia esse processo ao transferir a produção de módulos tridimensionais para a fábrica, que posteriormente são transportados e instalados no terreno para compor o edifício.

“O ambiente industrial permite trabalhar com maior controle sobre materiais, processos e etapas de execução. Isso traz previsibilidade para a obra e reduz variáveis comuns ao canteiro, além de contribuir para a racionalização de recursos e a redução de resíduos”, explica Andrigo Scodro, engenheiro civil da GND Incorporadora.

O avanço acompanha um mercado global em expansão. Segundo a Mordor Intelligence, a construção modular deve movimentar US$ 96,77 bilhões em 2026 e chegar a US$ 129,81 bilhões em 2031, com crescimento médio anual de 6,05%. No segmento residencial, a projeção é de expansão anual de 7,86% no mesmo período.

No Brasil, as perspectivas também indicam crescimento. O mercado de construções pré-fabricadas deve passar de US$ 3,81 bilhões em 2026 para US$ 5,02 bilhões em 2031. Os edifícios modulares representam 43,2% da receita desse mercado e têm crescimento anual projetado de 6,91%. O segmento residencial responde por 55,6% do setor de pré-fabricados.

Em Florianópolis, uma das aplicações recentes da tecnologia pode ser observada no Passeio do Mar, empreendimento da GND Incorporadora entregue no Cacupé. O residencial, com 30 apartamentos, foi construído a partir de cerca de 300 módulos produzidos industrialmente pela Visia.

O sistema adotado possibilitou uma obra seca, com menor consumo de água e redução na geração de resíduos. A produção em fábrica também permitiu concentrar etapas da construção em ambiente controlado, enquanto o canteiro era preparado para receber os módulos.

A aplicação da tecnologia em um empreendimento residencial de alto padrão também permitiu avaliar o desempenho após a instalação. Ensaios realizados pelo laboratório Anima Acústica apontaram resultados superiores aos parâmetros estabelecidos pela ABNT NBR 15575 para conforto acústico. O sistema de piso alcançou isolamento de ruído aéreo de 61 decibéis e de ruído de impacto de 48 decibéis, enquanto as paredes entre as unidades atingiram o nível máximo previsto nos ensaios realizados.

Construção modular avança no Brasil e ganha espaço no mercado residencial
Foto: Divulgação

“A construção modular exige que arquitetura, engenharia e produção estejam coordenadas desde as etapas iniciais. No Passeio do Mar, conseguimos aplicar essa lógica a um projeto residencial com diferentes configurações de plantas, grandes vãos e requisitos de desempenho e conforto. Essa experiência mostra as possibilidades de aplicação do sistema também em empreendimentos de maior complexidade”, afirma Scodro.

O engenheiro avalia que o crescimento da construção industrializada no país dependerá também da formação de profissionais, da ampliação da cadeia de fornecedores e da adaptação de diferentes agentes do setor. A pesquisa da FGV IBRE aponta a falta de mão de obra especializada como uma dificuldade enfrentada por 50,5% das empresas que trabalham com esses sistemas. Capacitação de projetistas, tributação e aceitação pelo mercado também aparecem entre os desafios.

Para Scodro, o estágio atual abre espaço para uma expansão gradual da tecnologia no país. “O Brasil já possui empresas que trabalham com sistemas industrializados e experiências que demonstram sua aplicação em diferentes segmentos. À medida que a cadeia ganha conhecimento e escala, a tendência é que a industrialização esteja presente em um número maior de projetos, especialmente diante da necessidade de aumentar a produtividade e reduzir desperdícios na construção”, completa o especialista.

Sobre a GND Incorporadora e atuação na construção

Com mais de duas décadas de atuação na construção civil, a GND Incorporadora desenvolve empreendimentos em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

A empresa trabalha com soluções voltadas à industrialização da construção, à eficiência energética, ao conforto ambiental e à redução de impactos, em parceria com escritórios e empresas das áreas de arquitetura, engenharia, paisagismo e tecnologia.

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