
O avanço do El Niño acendeu um alerta para os mercados agrícolas e para o consumidor pela possibilidade de aumento do preço dos alimentos.
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Economistas e especialistas em riscos climáticos avaliam que o fenômeno pode prejudicar as colheitas, dificultar o transporte de mercadorias e elevar o preço dos alimentos em diferentes partes do mundo.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o El Niño está em fortalecimento e tem 97% de chance de permanecer ativo até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.
A anomalia semanal registrada na região Niño 3.4 chegou a 1,2°C, enquanto a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro é de 81%.
A intensificação do fenômeno pode alterar os regimes de chuva e temperatura, provocando secas em algumas regiões e tempestades ou enchentes em outras.
Essas mudanças afetam o desenvolvimento das lavouras, a produtividade agrícola e a disponibilidade de água para irrigação, aumentando o preço dos alimentos.
Em um cenário de El Niño muito forte, analistas do Goldman Sachs estimam uma alta acumulada de até 15,8% nas commodities alimentares globais.
Como os efeitos climáticos avançam lentamente pelas etapas de plantio, colheita, transporte e comercialização, o impacto completo poderia ser percebido apenas no segundo semestre de 2028.
Uma análise de cenário elaborada pela empresa de riscos climáticos Risilience aponta que, em condições extremas, a produção agrícola global poderia cair 14,3%, com perdas estimadas em US$ 342,2 bilhões.
Nesse cenário, os choques de preços poderiam variar entre 10% e 50% nas principais culturas.
Produtos mais vulneráveis, como arroz, óleo de palma, cana-de-açúcar e café, poderiam registrar elevações entre 50% e 100%.
Os números representam uma simulação de risco extremo, e não uma previsão de que as altas ocorrerão obrigatoriamente.
A redução da oferta de produtos básicos tende a pressionar ainda mais o preço dos alimentos, especialmente em países mais pobres e dependentes das chuvas sazonais.
O arroz está entre as maiores preocupações por ser essencial para a alimentação de bilhões de pessoas, principalmente na Ásia.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) aponta riscos elevados de seca no Sul e Sudeste Asiático, no Sul da África, no Sahel, na América Central e no Caribe.
Nessas regiões, falhas nas colheitas podem ampliar a insegurança alimentar, as perdas de rebanhos e o endividamento de famílias rurais.
Além dos efeitos diretos sobre as lavouras, períodos de estiagem podem reduzir o nível de rios e canais utilizados para o transporte de mercadorias.
A escassez de água também compromete sistemas de irrigação, enquanto o aumento dos custos de energia e fertilizantes adiciona pressão à cadeia produtiva.
O Banco Mundial prevê, em seu cenário-base, uma elevação de aproximadamente 2,5% no índice global de alimentos em 2026.
No entanto, o órgão alerta que um El Niño mais intenso, combinado à manutenção dos custos elevados de energia e fertilizantes, pode levar os preços acima das projeções atuais.
O impacto final dependerá da intensidade do fenômeno, da duração das alterações climáticas e das medidas adotadas pelos países para proteger a produção e evitar restrições comerciais.
Caso os cenários mais severos se confirmem, o preço dos alimentos poderá permanecer pressionado durante os próximos anos.
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