Preço dos alimentos pode subir até 2028 com um forte El Niño

Secas, enchentes e perdas nas colheitas geradas pelo El Niño podem reduzir a oferta global e pressionar o preço dos alimentos em todo o mundo

Resumo da Notícia

Secas, enchentes e perdas nas colheitas geradas pelo El Niño podem reduzir a oferta global e pressionar o preço dos alimentos em todo o mundo

Preço dos alimentos pode subir até 2028 com um forte El Niño
Foto: Imagem criada com IA

O avanço do El Niño acendeu um alerta para os mercados agrícolas e para o consumidor pela possibilidade de aumento do preço dos alimentos.

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Economistas e especialistas em riscos climáticos avaliam que o fenômeno pode prejudicar as colheitas, dificultar o transporte de mercadorias e elevar o preço dos alimentos em diferentes partes do mundo.

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o El Niño está em fortalecimento e tem 97% de chance de permanecer ativo até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

A anomalia semanal registrada na região Niño 3.4 chegou a 1,2°C, enquanto a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro é de 81%.

A intensificação do fenômeno pode alterar os regimes de chuva e temperatura, provocando secas em algumas regiões e tempestades ou enchentes em outras.

Essas mudanças afetam o desenvolvimento das lavouras, a produtividade agrícola e a disponibilidade de água para irrigação, aumentando o preço dos alimentos.

El Niño amplia riscos de alta no preço dos alimentos

Em um cenário de El Niño muito forte, analistas do Goldman Sachs estimam uma alta acumulada de até 15,8% nas commodities alimentares globais.

Como os efeitos climáticos avançam lentamente pelas etapas de plantio, colheita, transporte e comercialização, o impacto completo poderia ser percebido apenas no segundo semestre de 2028.

Uma análise de cenário elaborada pela empresa de riscos climáticos Risilience aponta que, em condições extremas, a produção agrícola global poderia cair 14,3%, com perdas estimadas em US$ 342,2 bilhões.

Nesse cenário, os choques de preços poderiam variar entre 10% e 50% nas principais culturas.

Produtos mais vulneráveis, como arroz, óleo de palma, cana-de-açúcar e café, poderiam registrar elevações entre 50% e 100%.

Os números representam uma simulação de risco extremo, e não uma previsão de que as altas ocorrerão obrigatoriamente.

A redução da oferta de produtos básicos tende a pressionar ainda mais o preço dos alimentos, especialmente em países mais pobres e dependentes das chuvas sazonais.

O arroz está entre as maiores preocupações por ser essencial para a alimentação de bilhões de pessoas, principalmente na Ásia.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) aponta riscos elevados de seca no Sul e Sudeste Asiático, no Sul da África, no Sahel, na América Central e no Caribe.

Nessas regiões, falhas nas colheitas podem ampliar a insegurança alimentar, as perdas de rebanhos e o endividamento de famílias rurais.

Além dos efeitos diretos sobre as lavouras, períodos de estiagem podem reduzir o nível de rios e canais utilizados para o transporte de mercadorias.

A escassez de água também compromete sistemas de irrigação, enquanto o aumento dos custos de energia e fertilizantes adiciona pressão à cadeia produtiva.

O Banco Mundial prevê, em seu cenário-base, uma elevação de aproximadamente 2,5% no índice global de alimentos em 2026.

No entanto, o órgão alerta que um El Niño mais intenso, combinado à manutenção dos custos elevados de energia e fertilizantes, pode levar os preços acima das projeções atuais.

O impacto final dependerá da intensidade do fenômeno, da duração das alterações climáticas e das medidas adotadas pelos países para proteger a produção e evitar restrições comerciais.

Caso os cenários mais severos se confirmem, o preço dos alimentos poderá permanecer pressionado durante os próximos anos.

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