
A pesquisa sobre a eleição de 2026, realizada pela Jovem Pan News/Mapa e divulgada na última semana, reforça uma percepção que já vinha se consolidando no cenário político catarinense: hoje, o governador Jorginho Mello não corre contra os adversários, mas contra a possibilidade de algum fato novo alterar uma disputa que parece amplamente favorável à sua reeleição.
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Os números mostram um cenário de ampla vantagem. No levantamento estimulado, Jorginho aparece com 54,9% das intenções de voto, enquanto João Rodrigues registra 15,3% e Gelson Merisio 5,1%. A diferença de 39,6 pontos percentuais para o segundo colocado não é apenas expressiva. É um abismo eleitoral.
Mais significativo do que a liderança é a estabilidade. Em março, Jorginho tinha 56,2%. Agora aparece com 54,9%. A oscilação ocorre dentro da margem de erro da pesquisa. João Rodrigues também praticamente não se moveu, passando de 15,5% para 15,3%. Isso demonstra que, até o momento, a corrida pelo governo não apresenta sinais de mudanças relevantes na preferência do eleitorado.
Outro dado importante aparece na pesquisa espontânea. Mesmo sem a apresentação dos nomes, Jorginho é lembrado por 32% dos entrevistados, índice muito superior ao dos concorrentes. Quando os candidatos são apresentados, seu percentual cresce para quase 55%, demonstrando um elevado nível de conhecimento e consolidação junto ao eleitorado.
A situação se torna ainda mais favorável ao governador quando se observa a fragmentação da oposição. João Rodrigues mantém um eleitorado fiel dentro dos 15,3%, mas distante da competitividade necessária para ameaçar a liderança. Gelson Merisio apresenta crescimento, mas ainda ocupa uma faixa eleitoral modesta. Não há hoje um candidato capaz de concentrar os votos contrários ao governo e construir uma alternativa consistente.
O percentual de indecisos continua relativamente elevado para esta eleição, chegando a 14,5% no cenário estimulado. Entretanto, os números não indicam que esse contingente esteja migrando para algum adversário específico. Pelo contrário. A estabilidade observada entre março e junho sugere que a maior parte do eleitorado já possui uma definição razoavelmente clara sobre a disputa.
Os cenários de segundo turno reforçam essa leitura. Jorginho venceria João Rodrigues por 58% a 25,7% e Gelson Merisio por 69,7% a 14,9%. Quando um candidato lidera com folga no primeiro turno e amplia essa vantagem em simulações de segundo turno, a tendência é que o eleitorado passe a enxergar sua vitória como o desfecho natural da eleição.
Naturalmente, ainda há campanha pela frente. Crises políticas, mudanças econômicas, alianças partidárias e fatos inesperados podem alterar qualquer cenário eleitoral. Mas a realidade captada pela pesquisa é clara: neste momento, não existe um movimento visível capaz de reduzir uma vantagem próxima de 40 pontos percentuais.
Por isso, a principal discussão em Santa Catarina deixa de ser quem lidera a disputa pelo governo. Os números sugerem que a questão central passa a ser outra: haverá força política suficiente para impedir que Jorginho Mello resolva a eleição já no primeiro turno? Hoje, a resposta parece cada vez mais difícil de encontrar.
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