
Mesmo após o arquivamento do caso Orelha pela Justiça de Santa Catarina, o ex-delegado-geral da Polícia Civil do Estado, Ulisses Gabriel, defendeu a atuação da investigação e afirmou que os delegados responsáveis chegaram a um adolescente suspeito com base em elementos probatórios.
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Em entrevista no Jogo do Poder desta quinta-feira (28), o então delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina afirmou que elementos colhidos nas diligências substanciaram a acusação contra o autor.
“Com base no que foi apurado pelos delegados que atuaram no caso, tinha extração de mensagens e outros elementos de prova, como testemunhas, que teriam indicado autoria. Eu não presidi o inquérito. E a posição do Ministério Público está vinculada à Polícia Civil, tal qual a posição da Justiça”, afirma.
“As características da lesão mostram que houve ação humana. Não poderia ter sido de uma bengala de moto pois a forma da agressão não indicava isso. Depois disso foi feito o laudo direto, que é a praxe
Segundo Ulisses, a apuração começou em meio a informações desencontradas e fake news nas redes sociais. Ele afirmou que, embora inicialmente se falasse em seis adolescentes, a Polícia Civil investigou quatro. Dois foram descartados e, ao final, a apuração ficou concentrada em apenas um suspeito.
“Havia uma movimentação na mídia de que haviam seis suspeitos. Não eram seis, eram quatro – sendo que ficaram apenas dois suspeitos. Ao final das investigações, havia indícios e provas da participação de um dos adolescentes”, continua.
O caso foi arquivado depois que o Ministério Público concluiu que não houve agressão humana contra o animal. Laudos apontaram que a morte do cão decorreu de uma infecção óssea preexistente – decorrente de ação humana, de acordo com os laudos médicos colhidos durante a investigação.
Ainda assim, Ulisses ressaltou que a avaliação da Polícia Civil não vincula o entendimento do Ministério Público nem da Justiça sobre o caso Orelha.
“Nós já fizemos mais de 300 mil investigações em três anos. A polícia faz o indiciamento, mas isso não quer dizer que o Ministério Público vá denunciar. E de todas as pessoas que o MP denuncia, a Justiça vá condenar. Quantas pessoas vemos inocentadas por falta de falta de provas?”, finaliza.
O Ministério Público pediu apuração sobre a possível monetização de conteúdos falsos envolvendo o caso Orelha, enquanto a fala de Ulisses mostra que ainda há divergência entre a leitura feita pela Polícia Civil durante a investigação e a conclusão final do MP.
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