
A Prefeitura de Florianópolis vai utilizar reconhecimento facial para fiscalizar os ambulantes autorizados a trabalhar nas praias durante a temporada de verão 2026/2027. A medida faz parte de uma série de intensificação nas fiscalizações.
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As mudanças ocorrem após a apreensão de quase 400 carrinhos irregulares na temporada passada e denúncias de falsificação de alvarás, comércio clandestino e ameaças a vendedores licenciados.
A tecnologia será incorporada ao aplicativo Fiscaliza Floripa para identificar os trabalhadores e ajudantes cadastrados e dificultar fraudes nas licenças.
“Cada carrinho pode ter um ajudante, então eles botavam dois ou três carrinhos e o mesmo alvará. Eles copiavam [o alvará] e colocavam um outro ajudante. Só que essa temporada vai ser bem diferente”, defendeu a vice-prefeita e secretária municipal de Segurança e Ordem Pública, Maryanne Mattos.

Maryanne ainda explicou que a nova ferramenta pretende tornar a fiscalização mais transparente e garantir que as autorizações sejam utilizadas apenas por quem foi contemplado no edital.
Também visam coibir grupos criminosos, identificados na última temporada, que cobravam de ambulantes regularizados pelo uso do espaço público e ameaçavam danificar seus equipamentos caso não pagassem uma taxa.
“Vai ser cada vez mais difícil em Florianópolis tentar burlar a lei na temporada de verão, até porque a gente quer fazer valer mesmo, fazer com que ganhe o dinheiro aquele que está fazendo tudo correto”, afirmou a vice-prefeita.
Apreensões e irregularidades nas praias
De acordo com a secretária, cerca de 60% dos quase 400 carrinhos apreendidos na última temporada comercializavam coquetéis e bebidas. Ela relatou problemas relacionados ao armazenamento inadequado de produtos e à adulteração de bebidas alcoólicas — situações que podem representar riscos à saúde dos consumidores.

Maryanne afirmou ainda que a fiscalização identificou o uso de camisetas, crachás e alvarás falsificados. Uma das irregularidades consistia em utilizar a mesma autorização para operar mais carrinhos do que o permitido. Pelas regras, cada carrinho pode ter um ajudante, mas, conforme a secretária, havia casos em que uma única licença era replicada para justificar a atuação de diferentes trabalhadores.
As equipes de inteligência das forças de segurança também teriam identificado ameaças contra ambulantes regularizados. Segundo Maryanne, grupos exigiam pagamentos pelo uso do espaço nas praias e ameaçavam incendiar ou quebrar carrinhos de quem não aceitasse as cobranças.
Turistas poderão consultar ambulantes credenciados
Além da ferramenta destinada à fiscalização, a prefeitura afirma que está preparando uma versão do aplicativo voltada aos turistas.
A proposta é permitir que os banhistas consultem quais ambulantes estão cadastrados em cada praia, verifiquem os serviços oferecidos e acessem os cardápios. A ferramenta também deverá contar com um chat para que o consumidor entre em contato com o vendedor e solicite atendimento no local onde está.

A iniciativa busca facilitar a identificação dos profissionais autorizados e reduzir o risco de consumo de produtos vendidos por comerciantes clandestinos.
Segundo Maryanne, o turista poderá conferir se o ambulante e o carrinho estão cadastrados antes de realizar a compra.
Prefeitura defende mudanças nas categorias
A secretária também rebateu as críticas de pessoas que afirmam ter investido em carrinhos e mercadorias antes da definição das autorizações. Segundo ela, os investimentos foram feitos antes da realização do sorteio que determina quem poderá atuar na temporada.
Maryanne afirmou que os ambulantes interessados devem aguardar a seleção e a definição das categorias antes de comprar equipamentos e produtos.
Para quem pretendia vender coquetéis, mas não poderá atuar nessa modalidade conforme as novas regras, a prefeitura prevê a possibilidade de participar do sorteio para outras categorias disponíveis, como a de carrinhos de milho.







