
Moradores e turistas flagraram um vazamento de esgoto na Praia de Quatro Ilhas, em Bombinhas, neste sábado (10). O local é um dos cinco do município com a certificação Bandeira Azul, um selo internacional que garante a qualidade das praias.
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Nesta segunda-feira (12) pela manhã, a população local protestou em repúdio ao derramamento de esgoto. A manifestação aconteceu em frente à concessionária Água de Bombinhas, responsável pelos serviços de coleta e tratamento de esgoto.
Ainda no final de semana, as redes sociais foram tomadas por vídeos do vazamento. A equipe da Jovem Pan News Floripa esteve em contato com o prefeito do município, Alexandre Silva (PSD), para entender como aconteceu o fenômeno.
Segundo o prefeito, as pancadas de chuva, previsíveis e típicas do verão, foram o fator crucial para o escape de esgoto. Em paralelo, ele afirma que a prefeitura fiscaliza e repreende ligações clandestinas de esgoto realizadas na cidade, especialmente por meio da operação Lingua Negra. Essa ação visa coibir o lançamento irregular de efluentes e proteger os recursos hídricos do município.
“O poder público está combatendo, mas a gente precisa muito que a população tenha o cuidado também”, afirmou.
Responsabilidade social
Como afirma o ambientalista Emerilson Emerim, mestre em Gestão Ambiental e apresentador do podcast Cidades Sustentáveis, “o vazamento é crime ambiental. Os responsáveis têm que ser fiscalizados e penalizados de acordo”.
Com isso, o prefeito está de acordo: “A comunidade tem que ter a sua responsabilidade ambiental”, frisou algumas vezes durante a entrevista. Para ele, a consciência deve vir primeiro das pessoas. “Quem jogou o lixo na praia, por exemplo, não foi a prefeitura, foi a população”.
Além da função popular em manter o meio ambiente limpo, Emerim destacou que o poder público tem, ou deveria ter, um papel fundamental no mantimento da ordem sanitária. Para ele, a gestão ambiental e sanitária faz parte da função municipal.
Tratamento de esgoto
A concessionária Água de Bombinhas é a responsável pelos serviços de água, coleta e tratamento de esgoto no município catarinense. Em nota, a empresa municipal afirmou que “o efluente em questão não tem relação com a rede de esgoto do bairro operada pela concessionária”.
No texto, também relata que informou os órgãos competentes para apuração do ocorrido, mas não especifica quais seriam os responsáveis por isso. O prefeito Alexandre Silva responsabiliza a Água de Bombinhas pela apuração, notificando a concessionária para prestar esclarecimentos.
Para o ambientalista Emerim, “aí é que está a grande falha”. Ele questiona quem estaria de fato responsável pela fiscalização das ligações clandestinas, afirmando que a falta de clareza dificulta a cobrança correta.
Taxa de Preservação Ambiental de Bombinhas
Para ingressar em um dos paraísos ambientais mais famosos de Santa Catarina, os visitantes devem pagar a TPA (Taxa de Preservação Ambiental), uma espécie de pedágio ambiental. Criada em 2013, a TPA promete auxiliar na gestão de Bombinhas durante a alta temporada. Essa taxa, inclusive, passou por um reajuste neste início de ano, aumentando para quase R$ 40.
O deputado catarinense Ivan Naatz (PL) questionou, em entrevista à Jovem Pan News Floripa, quem seriam os “donos” da TPA. Segundo ele, não há uma prestação de contas clara referente à renda adquirida pelo pedágio — tanto o responsável pela destinação da taxa, quanto o local onde o valor arrecadado é investido.
Confira vídeo
* Por Ana Horst
Sob edição de Bruno Gallas

