
A vitória do Figueirense na Copa do Brasil sobre o Azuriz, por 1 a 0, no Estádio Orlando Scarpelli, foi daquelas que precisam ser analisadas além do placar. O resultado é magro, mas gigante em significado. Garante cerca de R$ 930 mil aos cofres, coloca o clube na terceira fase da competição e, principalmente, devolve um pouco de autoestima a um grupo pressionado. Em meio ao risco real de rebaixamento no Catarinense, o time mostrou algo que vinha faltando: postura e determinação.
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O Figueirense foi diferente, organizado, mais intenso, com novas peças começando a ganhar protagonismo e oferecendo uma identidade que parecia perdida. Há um claro movimento de reconstrução pensando na Série C, que virou prioridade. O problema é que o calendário não espera: antes disso, há uma sexta-feira (6) dramática contra o Carlos Renaux, em jogo que pode sacramentar uma queda histórica para a segunda divisão.
Vive-se a euforia da classificação na Copa do Brasil e, ao mesmo tempo, a iminência do rebaixamento estadual. Não depende apenas de vencer. Depende também do desempenho do Joinville contra o Marcílio Dias. E o torcedor sabe o que esperar. O JEC, já eliminado e com foco na própria Copa do Brasil, não demonstrou grande apetite competitivo recentemente como ficou claro na derrota por 3 a 0 para o próprio Figueirense. A esperança é legítima, mas a confiança é baixa.
Dentro de campo, a relação entre torcida e Kayke simboliza o momento. Capitão, experiente, mas novamente desperdiçando chances claras e ouvindo vaias. É uma relação de amor e ódio. Fez bem Zanardi em mantê-lo até o fim, protegendo o grupo e evitando uma exposição ainda maior. Mas a cobrança é inevitável. Quando o clube está à beira do abismo, o peso da braçadeira dobra.

Fora das quatro linhas, o ambiente é ainda mais tenso. Cerca de 5 mil torcedores estiveram no Scarpelli e boa parte protestou contra a SAF liderada por Paulo Prisco Paraíso e contra o presidente da Associação, José Tadeu Cruz. O Conselho Deliberativo se reúne na segunda-feira (9) para discutir a possível destituição da diretoria executiva da SAF. O recado das arquibancadas foi claro: não basta sobreviver em campo, é preciso mudar os rumos administrativos.
O Figueirense vive dias decisivos. A Copa do Brasil oferece respiro financeiro e visibilidade. Mas só dinheiro não resolve crise estrutural. Se escapar do rebaixamento, será um alívio. Se não escapar, será a consequência de erros acumulados. Em qualquer cenário, a noite contra o Azuriz mostrou que há material humano para competir. Falta agora organização, liderança e decisões firmes para que o Furacão do Estreito deixe de viver entre a euforia e o abismo.


