Análise: Queda histórica do Figueirense revive o pesadelo de 1986 e mancha trajetória centenária

Por: Carlos Alberto Ferreira
em 08/03/2026 às 00:12 - Atualizado há 22 minutos.
Figueira dá vexame e cai de quatro no rebaixamento Foto: @gfotos047/Carlos Renaux

O rebaixamento do Figueirense para a segunda divisão do Campeonato Catarinense de 2027 entra para a história como uma das páginas mais dolorosas da trajetória alvinegra. Quarenta anos depois da queda de 1986, o clube volta a experimentar o gosto amargo de um descenso estadual. E da pior maneira possível: dentro do Orlando Scarpelli, diante de seu torcedor, sofrendo uma derrota por 4 a 2 para o Carlos Renaux e levando um verdadeiro banho de bola. Um vexame que simboliza com fidelidade o momento do clube, desorganizado, sem identidade e completamente abatido.

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O cenário que já era dramático acabou confirmado também pelo resultado paralelo. O Marcílio Dias fez o que precisava e venceu o Joinville por 2 a 0 em Itajaí, garantindo a permanência na elite com 13 pontos. O Carlos Renaux também chegou aos 13, com saldo inferior. O Figueirense, que entrou na rodada ainda alimentando uma esperança remota, terminou afundado em seus próprios erros. O time que entrou em campo foi irreconhecível: sem alma, sem competitividade e incapaz de reagir diante de um adversário que também lutava contra o rebaixamento.

Mas o problema do Figueirense vai muito além dos 90 minutos. O que se viu em campo é apenas o reflexo de uma gestão que há anos acumula decisões equivocadas, falta de planejamento e promessas não cumpridas. A SAF comandada por Paulo Prisco Paraíso não conseguiu até agora equacionar problemas urgentes do clube. As dívidas seguem crescendo, a recuperação judicial não avança como deveria e o futebol, principal razão de existir do clube, tornou-se um território de improviso, contratações equivocadas e ausência total de projeto esportivo.

Zanardi: Lacônico nas falas Foto: Patrick Floriani/FFC

O resultado é um clube mergulhado em crise dentro e fora de campo. O torcedor, historicamente um dos mais apaixonados de Santa Catarina, vive dias de vergonha, sofrimento e inevitável zoação dos rivais. Para quem já frequentou a elite do futebol brasileiro, disputou finais nacionais e construiu uma história rica com 18 títulos estaduais, cair dessa forma representa um golpe duríssimo na identidade do Figueirense.

Agora resta saber se haverá reação. A reunião extraordinária do conselho deliberativo marcada para segunda-feira (9), pode ser o início de mudanças profundas. Porque gigantes também caem, é verdade. A história mostra isso. O que não pode acontecer é o clube continuar refém de uma gestão que o conduziu a esse abismo. O Figueirense precisa se reencontrar com sua grandeza antes que novas páginas ainda mais sombrias sejam escritas.