
A noite dessa sexta-feira (6) com a última rodada do quadrangular do descenso pode marcar uma das páginas mais sombrias da história do Figueirense. O clube entra em campo às 20 horas, no Orlando Scarpelli, diante do Carlos Renaux, carregando não apenas a obrigação de vencer, mas também o peso de depender de um resultado paralelo que, realisticamente, parece improvável. Para escapar, o Figueira precisa fazer sua parte, construir saldo e ainda torcer por um tropeço do Marcílio Dias contra o Joinville, em Itajaí. É uma combinação dramática que mostra o quanto o clube se colocou numa situação limite.
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O problema é que o cenário externo joga contra o alvinegro. O Joinville já está rebaixado e deve preservar jogadores pensando na próxima fase da Copa do Brasil. Do outro lado estará um Marcílio Dias motivado, jogando em casa, diante do seu torcedor e com a permanência praticamente nas mãos. Em outras palavras, o Marinheiro entra em campo com a famosa “faca e o queijo na mão”, enquanto o Figueirense depende de uma combinação de fatores que já não controla.
Caso o desfecho confirme o que a tabela praticamente já indica, será um capítulo histórico negativo para um clube que construiu grandeza no futebol catarinense. Dono de 18 títulos estaduais (apenas um a menos que o rival Avaí) o Figueirense volta a conviver com o fantasma de 1986, quando terminou o Catarinense na última colocação e caiu pela primeira vez para a segunda divisão estadual. Naquele momento, a recuperação veio no ano seguinte, com o acesso. Ainda assim, a cicatriz ficou marcada na trajetória do clube.
Quatro décadas depois, o risco de repetir esse trauma expõe algo mais profundo: uma sucessão de erros administrativos e esportivos que levaram o Figueirense a um processo de declínio preocupante. O clube que já frequentou a Série A do Brasileiro agora se prepara para disputar novamente a Série C, sem conseguir sair de um ciclo de instabilidade. A revolta do torcedor nas arquibancadas e nas ruas é compreensível. Há cobrança por mudanças, questionamentos ao conselho e críticas a dirigentes que, para muitos, passaram a conduzir o clube como se fosse um patrimônio particular.
A história do futebol, no entanto, mostra que crises profundas também podem gerar reconstruções. O próprio Criciúma viveu situação semelhante ao ser rebaixado no estadual em 2021 e conseguiu reagir com reorganização e competitividade. O momento do Figueirense é doloroso e exige reflexão séria. Mas o clube é maior que a crise. Se houver coragem para mudanças reais, essa página sombria poderá, no futuro, ser lembrada apenas como o ponto de partida de uma necessária reconstrução.

