
A reunião extraordinária do Conselho Deliberativo do Avaí, realizada na noite de segunda-feira (15), foi histórica e, sobretudo, necessária. Com 103 votos favoráveis e 82 contrários, os conselheiros aprovaram, por maioria, a criação de uma SAF 100% controlada pelo clube. Houve presença expressiva, bons argumentos de ambos os lados e um ambiente de discussão madura, algo que precisa ser valorizado. Agora, a decisão segue para a Assembleia Geral de Sócios, marcada para quinta-feira (18), que dará ou não a palavra final para a criação desse novo instrumento jurídico (CNPJ) do clube.
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É importante esclarecer: o que se aprovou não foi a venda do Avaí, tampouco a entrada de investidores neste momento. A decisão trata apenas da criação de um novo CNPJ, integralmente pertencente ao clube, sem comprometimento de patrimônio histórico e mantendo o Avaí como associação centenária. A SAF, neste estágio, é uma ferramenta, um “equipamento jurídico” que permite abrir conversas, estruturar propostas e atrair recursos de forma organizada, transparente e segura. Qualquer negociação futura dependerá de novas votações e da aprovação dos sócios.
Trata-se de uma possibilidade concreta de abrir novos horizontes financeiros para o clube, desde que dentro de um modelo responsável, com parceiro sério, investimentos substanciais e gestão profissional. A última gestão deixou um cenário preocupante, com endividamento novamente elevado e um orçamento para 2026 extremamente restritivo, como o próprio presidente eleito Bernardo Pessi disse em entrevista. Cortes de até 80% nos investimentos, folha salarial “franciscana”, elenco formado majoritariamente por atletas da base e remanescentes, e apenas um reforço contratado até aqui.
É legítimo o receio dos 82 conselheiros que votaram contra. O medo de perder identidade, de repetir experiências mal-sucedidas vistas em outros clubes ou de abrir portas sem garantias povoa a cabeça de muitos avaianos. Esses riscos existem e não podem ser ignorados. Como disse o advogado Tullo Cavallazzi, a chave está no modelo competitivo, no tratamento responsável das dívidas e na profissionalização da gestão, respeitando a história e os objetivos do Avaí.
A criação da SAF 100% não é solução mágica, mas pode ser parte da saída. O clube precisa de criatividade para captar recursos, mas também de racionalidade para usá-los com inteligência, amparado por instrumentos jurídicos que deem segurança às decisões. Não se trata de defesa, mas de avaliação realista diante do contexto atual. Que os homens que decidem o futuro azurra tenham sucesso e, sobretudo, que não se arrependam depois. O Avaí precisa ousar, mas precisa, antes de tudo, proteger a si mesmo.


