
O Avaí deu, na manhã desta terça-feira (23), um dos passos mais importantes de sua história recente ao anunciar oficialmente uma proposta para a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O presidente Bernardo Pessi apresentou os detalhes do Termo de Compromisso de Investimentos firmado com a Kactus Capital, grupo que pretende adquirir 90% das ações da futura SAF avaiana. O projeto prevê investimentos superiores a R$ 400 milhões e agora depende da aprovação do Conselho Deliberativo, convocado extraordinariamente para o próximo dia 30 de junho (terça-feira), na Ressacada.
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A proposta surge após mais de três anos de debates internos sobre o modelo de gestão e em um momento de grande pressão financeira para o clube. Segundo levantamento realizado por uma comissão do próprio Conselho Deliberativo, a dívida do Avaí praticamente dobrou nos últimos três anos, saltando de R$ 159 milhões em 2023 para cerca de R$ 295 milhões atualmente. Diante desse cenário, a SAF aparece como alternativa para garantir investimentos, reestruturar as finanças e aumentar a competitividade esportiva do Leão da Ilha.
Entre os compromissos assumidos pela Kactus Capital estão aportes mínimos de R$ 25 milhões por ano nos três primeiros anos da operação, destinados ao futebol profissional e à infraestrutura. O acordo também prevê investimentos na base, melhorias na Ressacada e no Centro de Treinamento, além de um empréstimo-ponte de R$ 5 milhões para reforçar imediatamente o caixa do clube. Outro ponto considerado fundamental pela direção é a responsabilidade da futura SAF em quitar as dívidas históricas que hoje limitam a capacidade de investimento do Avaí.
O documento apresentado também busca tranquilizar os conselheiros e a torcida em relação à preservação da identidade do clube. A proposta estabelece que a propriedade da Ressacada permanecerá com a associação e impede alterações em símbolos tradicionais, como escudo, cores, hino e alcunha. Além disso, mesmo mantendo apenas 10% das ações, o Avaí teria direito a um terço das cadeiras do Conselho de Administração da SAF, preservando participação nas decisões estratégicas.
A escolha da Kactus Capital certamente despertará atenção no ambiente político do futebol catarinense. A mesma empresa esteve recentemente envolvida nas discussões sobre a SAF do Figueirense, realizando due diligence e apresentando proposta ao clube alvinegro. No entanto, o Conselho Deliberativo do Furacão rejeitou a oferta e optou por avançar nas negociações com a PanSport, grupo formado por empresários locais. Agora, caberá aos conselheiros avaianos avaliar se o projeto apresentado oferece as garantias e perspectivas necessárias para conduzir o clube a uma nova fase administrativa e esportiva.
A decisão será tomada na reunião extraordinária marcada para a próxima terça-feira (30), às 19h, na Ressacada. Na ocasião, os conselheiros irão deliberar sobre a constituição da SAF e autorizar, ou não, a diretoria executiva a concluir a negociação e formalizar todos os atos necessários para a implementação do negócio. Trata-se de uma votação histórica, capaz de definir os rumos do Avaí para as próximas décadas.
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