A cura pela palavra

Aquilo que não é dito tende a permanecer atuando por dentro, sem curar e moldando comportamentos, medos, inseguranças e reações

Resumo da Notícia

Aquilo que não é dito tende a permanecer atuando por dentro, muitas vezes moldando comportamentos, medos, inseguranças e reações que nem sempre conseguimos explicar

cura pela palavra
Foto: Banco de imagens

Há uma observação interessante nos estudos do pesquisador norte-americano James W. Pennebaker: talvez boa parte do sofrimento humano não esteja apenas no trauma vivido, mas no silêncio que se constrói em torno dele.

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Pennebaker, conhecido por suas pesquisas sobre linguagem, emoção e saúde, demonstrou que verbalizar experiências dolorosas, seja pela fala, seja pela escrita, pode ter efeitos importantes na forma como o indivíduo organiza sua vida emocional. Em outras palavras, aquilo que não é dito tende a permanecer atuando por dentro, muitas vezes moldando comportamentos, medos, inseguranças e reações que nem sempre conseguimos explicar.

A constatação é simples, mas poderosa: pessoas submetidas a experiências semelhantes podem seguir caminhos emocionais completamente diferentes. Algumas conseguem atravessar a dor sem carregar marcas profundas no comportamento. Outras, ao contrário, parecem permanecer aprisionadas ao fato, reproduzindo instabilidades, defesas e padrões emocionais que indicam uma ferida ainda aberta.

A diferença, segundo essa linha de estudo, pode estar justamente na capacidade de exteriorizar o problema. Quem fala, organiza. Quem cala, muitas vezes, acumula. A palavra, nesse sentido, funciona como uma espécie de ponte entre o sofrimento bruto e a compreensão racional daquilo que foi vivido.

Talvez esteja aí uma das razões pelas quais, nas terapias e consultas voltadas à saúde mental, o paciente seja estimulado a falar. Não se trata de uma conversa vazia, tampouco de mera repetição de lembranças dolorosas. Trata-se de transformar o caos interno em narrativa.

Ao nomear a dor, o ser humano começa a dominá-la. Por isso, a verbalização do sofrimento pode ser vista como uma das primeiras formas de cura. Não porque a fala apague o trauma, mas porque impede que ele continue governando a vida em silêncio. Em tempos em que tantos preferem esconder suas dores, a ciência parece confirmar algo que a experiência humana já intuía: falar, muitas vezes, é o primeiro passo para deixar de sofrer sozinho.

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