Caso Orelha: PCSC conclui investigação e solicita internação de um adolescente 

Em 4 de janeiro deste ano, o cão comunitário Orelha foi espancado na Praia Brava, em Florianópolis, em caso que chocou o país e o mundo
Por: Redação
em 04/02/2026 às 17:55 - Atualizado há 55 minutos.
orelha cachorro
Foto: Divulgação.

Com o fim das investigações sobre a morte do cão comunitário Orelha, a PCSC (Polícia Civil de Santa Catarina) recomenda a internação de um dos quatro adolescentes investigados. Segundo a corporação, a internação equivale à prisão de um adulto. Os advogados de defesa negam as acusações. Três adultos foram indiciados por coação de testemunha. 

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Em processo paralelo, quatro adolescentes foram responsabilizados após acusações de maus-tratos ao cão Caramelo – levado ao mar repetidamente em tentativa de afogamento. O caso aconteceu na mesma noite em que Orelha foi espancado. Não há confirmação de que os adolescentes acusados nos dois casos sejam os mesmos, uma vez que o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) prevê sigilo absoluto nos procedimentos legais envolvendo menores de idade. 

De acordo com a Polícia Científica, o cachorro sofreu uma pancada contundente na cabeça, “que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa”. A investigação ouviu 24 testemunhas e analisou mais de mil horas de filmagens na região, em 14 câmeras de videomonitoramento, para chegar ao autor do crime.

Também foram identificadas provas como a roupa utilizada pelo autor do crime, que foi registrada em filmagens. Um software francês obtido pela corporação analisou a localização do responsável durante o ataque fatal a Orelha.

Suspeitos descartados pela agressão ao cão Orelha

No início das investigações, a Polícia Civil catarinense identificou quatro adolescentes como suspeitos das agressões. Com o desenrolar da apuração, oito jovens chegaram a ser investigados.

O adolescente supostamente responsável pela morte do cão deixou o país no mesmo dia em que a Polícia Civil teve conhecimento de quem eram os suspeitos do caso. Ele foi aos Estados Unidos, onde permaneceu até o fim de janeiro.

“Naquele momento, um familiar tentou esconder um boné rosa que estava em posse do adolescente, além de um moletom, que também foram peças importantes na investigação. Além disso, o familiar do autor tentou justificar a compra do moletom na viagem, mas o próprio adolescente admitiu que já possuía a peça, que foi utilizada no dia do crime”, diz a polícia.

Os advogados do adolescente apontado pela Polícia Civil de Santa Catarina como responsável pela morte do cachorro Orelha afirmam que houve “politização do caso” e rebatem as conclusões da investigação. Em nota, Alexandre Kale e Rodrigo Duarte dizem que o jovem foi indevidamente associado à morte do cão.

“Onde está a comprovação da agressão? Onde estão as imagens? O que a peça de roupa configura na confirmação do ato de violência contra o animal? Neste mesmo horário, há imagens de outros adolescentes circulando pelo mesmo deck de madeira”, afirmaram.

De acordo com a defesa, a “politização do caso” e a “necessidade de apontar culpado a qualquer preço” (…) “prejudicam a verdade, infringem de forma gravíssima os ritos legais e atingem violentamente e de forma irreparável pessoas inocentes”.