Caso Orelha: Defesa afirma que cão pode ter sido atropelado e garante que não houve coação a testemunhas

A história oficial acerca da morte do cão Orelha, divulgada pela Polícia Civil foi contestada pela defesa do adolescente indiciado pelo caso
Por: Redação
em 05/02/2026 às 12:27 - Atualizado há 5 horas.
orelha cachorro
Foto: Divulgação.

A história oficial acerca da morte do cão Orelha, divulgada pela Polícia Civil de SC, foi contestada pela defesa do adolescente indiciado pelo caso nesta quinta-feira (5). Segundo o advogado do rapaz, dr. Rodrigo Duarte, as provas apresentadas são inconclusivas tanto para a acusação de maus tratos quanto para suposta coação de testemunhas. As declarações foram feitas no Ligado na Cidade desta quinta.

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Em entrevista ao jornalista Emanuel Soares, Duarte afirma que as provas apresentadas no inquérito apresentam falhas na linha temporal do suposto crime. O advogado afirma que o “linchamento virtual” fez com que as autoridades abraçassem teorias “baseadas apenas em vestígios”.

“Não precisamos provar a inocência deles, quem tem provar que eles são culpados são as pessoas que os acusaram indevidamente pela morte do Orelha. O que salta aos olhos é uma possível contradição do menor indiciado ao se esquecer de pormenorizar, no depoimento, que ele não teria ficado somente na piscina com uma amiga, mas sim, segundo os delegados, teria saído para ficar alguns minutos na praia”, afirma. 

De acordo com a defesa, haviam diversos outros adolescentes na praia – e o acusado estaria em considerável distância, no mesmo horário, de onde o cão foi filmado no início da manhã

“O vídeo que mostra o Orelha bem, acompanhado de outra cachorrinha, comendo lixo na frente de um dos condomínios, mostra ele indo para o lado direito do costão da Praia Brava. Mostra ele chegando bem nas casinhas às 7h30 da manhã. Lá permaneceram e, em algum momento, retornaram para a rótula central da Praia Brava, entraram na rua Cinsio Duarte e mais tarde o cachorro foi encontrado daquela maneira. É nesse intervalo que o cachorro pode ter sido espancado ou atropelado”, continua. 

A hipótese de atropelamento deve ser levada ao tribunal. Rodrigo afirma que os laudos periciais que sustentam a acusação foram feitos de forma indevida – e que laudos conclusivos demandariam análise minuciosa do cadáver do animal. 

“O que existe nos autos é uma declaração por escrito do veterinário que atendeu o cãozinho um dia depois do fato. Essa declaração guarda limitações de toda sorte. Há necessidade roborá-la com a exumação do corpo do cachorrinho, uma análise de todo o cadáver, e isso não foi feito. O que foi feito foi o encaminhamento dessa declaração ao IGP e uma perícia parcial foi realizada. Nessa perícia consta laudo inconclusivo”. 

Afirma o advogado que não há como comprovar que houve lesão dolosa por “qualquer tipo de ferramenta” na cabeça do animal. De acordo com ele, o cão costumava passar longos períodos de tempo embaixo de vegetações e de carros próximos a um determinado condomínio da região. Um desses carros poderia, de forma culposa, ter atropelado Orelha.

Coação a testemunhas do caso Orelha 

Outro ponto destacado pela defesa é a suposta acusação de coação de testemunhas por parte de familiares do indiciado. As informações iniciais dão conta de que o pai e o tio do rapaz teria ameaçado um porteiro com uma arma de fogo após flagrante dos maus tratos. No entanto, de acordo com a defesa, os problemas envolvendo os adolescentes e o profissional se estendem desde 2025

Durante a entrevista, Duarte afirma que trata-se de uma associação indevida por parte do porteiro, que teria fotografado os jovens a partir do sistema de videomonitoramento e os relacionado a casos de baderna e algazarra registrados na região.

“Não houve coação. O Orelha foi encontrado no dia 5. Foi lavrado um BO no dia 6. Não foi nada feito em relação a esse boletim de ocorrencia. Só se tornou um rastilho de pólvora no dia 13, quando um porteiro tirou uma foto indevida do sistema de monitoramento e fez uma associação indevida com os adolescentes em um grupo de moradores”, continua.

Também durante o andamento do programa, a narrativa da defesa dá conta de que a ida dos adultos ao condomínio foi em razão do impedimento, por parte do porteiro, de que o adolescente adentrasse o local para uma festa de vestibulandos. 

Segundo ele, a animosidade em relação aos adolescentes vinha desde o dia 27 de dezembro

“O porteiro, junto com amigos utilizando tornozeleira eletrônica ameaçaram os menores por estarem fazendo ‘molecagem’ no bairro. Ele ameaçou vários adolescentes e nada disso foi investigado. O pai, quando soube que o filho foi barrado na festa, foi conversar com o porteiro. Nesse momento o porteiro tirou foto dos dois encostados no portão”.

A reportagem segue em atualização conforme novas informações e novas versões surgirem.

Por Bruno Gallas

Confira a entrevista completa