Comunidade terapêutica fiscalizada por internações involuntárias rebate acusações do MPSC

Casos ocorriam em comunidade terapêutica, ou 'inclusiva', de São José
Por: Redação
em 27/02/2026 às 15:06 - Atualizado há 30 minutos.
Pinturas de rostos sorridentes estampam as paredes de uma comunidade terapêutica em São José, na Grande Florianópolis. Por trás dos portões, denúncias de internação involuntária tomam os pátios. Foto: Ana Horst

Uma vistoria realizada pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) nesta segunda-feira (23) identificou pessoas acolhidas de forma involuntária em comunidade terapêutica em São José, na Grande Florianópolis. A fiscalização buscava monitorar a execução de atividades, a estrutura e o atendimento de acolhidos.

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Diante da irregularidade, foi expedido um ofício urgente às secretarias municipais de Saúde e de Assistência Social, com prazo de 24 horas para providenciar a desinternação das pessoas mantidas no local contra a própria vontade.

Segundo o MPSC, a internação involuntária em comunidades terapêuticas não-médicas não é admitida pelo ordenamento jurídico, só podendo acolher pessoas que escolhem a situação. Além disso, a vistoria detectou no local pessoas com deficiência e com questões de saúde mental, o que demanda avaliação técnica para definir a possibilidade de permanência na comunidade.

Internação involuntária em sao jose
Foto: Ana Horst

A redação da Jovem Pan News e Tudo Aqui SC foi até o local para entender o ocorrido. Responsáveis pelo estabelecimento afirmaram que não se trata de uma comunidade terapêutica, e sim uma ‘residência inclusiva’, conforme registrado no CNPJ.

A razão social categorizada inclui “Atividades de Assistência Psicossocial e à Saúde a Portadores de Distúrbios Psíquicos, Deficiência Mental e Dependência Química”. Essa categoria permitiria a realização de internações involuntárias, bem como o tratamento de pessoas com transtornos mentais.

Foto: Ana Horst

“Há, por exemplo, a presença de pessoas acolhidas que demonstraram interesse em sair da instituição — em outras palavras, estariam lá de forma involuntária”, afirmou o Promotor de Justiça do MPSC, André Teixeira Milioli.

Até o momento, apenas um paciente optou por sair do local, e outro ainda está no processo de saída. A única baixa foi de um homem aposentado, que já teria residência própria e condições de se auto sustentar.

Conforme o plantonista que atende a residência, não há nenhum envolvimento municipal nas internações, nem de qualquer outro órgão. Quem faria o encaminhamento do paciente é a própria família.

Pronunciamento do município sobre as internações involuntárias

A Prefeitura de São José se manifestou confirmando a ausência de envolvimento nas internações. Segundo eles, “o estabelecimento não possui qualquer vínculo, convênio ou parceria com a administração municipal”.

Ainda, a nota oficial da Prefeitura afirma: “A maioria das pessoas acolhidas na instituição é oriunda de outros municípios e os encaminhamentos foram realizados diretamente com a entidade, sem qualquer participação da Prefeitura de São José, seja por meio da Secretaria de Assistência Social ou da Secretaria de Saúde. Em um dos casos, há menção a vínculo com São José, mas também sem passagem prévia pelos serviços municipais”.

Ação do MPSC

A vistoria foi realizada pela 11ª Promotoria de Justiça de São José, com participação dos 11 Promotores de Justiça Substitutos que estão realizando o Curso de Ingresso na Carreira. Ainda contou com apoio do Corpo de Bombeiros, da Vigilância Sanitária municipal e estadual, do Conselho Regional de Medicina, do Conselho Regional de Psicologia e da Secretaria de Saúde.

Essa ação faz parte do programa Saúde Mental em Rede, do MPSC, que busca fortalecer a RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) em Santa Catarina. O programa desenvolve, em cooperação com diversas instituições, instrumentos para o acompanhamento e a fiscalização de CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e comunidades terapêuticas, otimizando a produção de dados e contribuindo para a avaliação de políticas públicas.

Fotos da vistoria

Por Ana Horst
Sob edição de Bruno Gallas