
Se não havia materialidade de provas na ação que pedia a cassação do senador Jorge Seif, a pergunta que inevitavelmente surge é: por que o Poder Judiciário levou tanto tempo para encerrar o processo?
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A ação foi movida pela coligação Bora Trabalhar, que tinha como candidato ao governo em 2022 o ex governador Raimundo Colombo. Desde então, o caso tramitou sob forte tensão política, criando um ambiente de incerteza que ultrapassou o campo jurídico.
A demora não foi um detalhe técnico. Ela teve efeitos concretos. Para o próprio senador Jorge Seif, significou desgaste político permanente, pressão pública e, inevitavelmente, impacto pessoal. Para Santa Catarina, representou instabilidade institucional. Durante meses, o estado não sabia se poderia contar com o mandato que lhe foi conferido nas urnas.
O julgamento no Tribunal Superior Eleitoral foi unânime. Todos os ministros entenderam que não havia provas capazes de sustentar a cassação por abuso de poder econômico nas eleições de 2022. As acusações de que o empresário Luciano Hang teria disponibilizado aviões, combustível e pilotos não se confirmaram nos autos. Tampouco restou comprovada irregularidade relacionada a suposta propaganda em evento do setor calçadista envolvendo o suplente.
O caso é emblemático porque expõe uma realidade contemporânea. Antes da decisão final, houve uma espécie de condenação prévia nas redes sociais e em determinados campos políticos. A narrativa, muitas vezes, antecedeu a prova. E isso produz efeitos que nenhum acórdão é capaz de apagar completamente.
Ao final, a decisão fortalece o devido processo legal. Reafirma que acusações graves exigem provas robustas. E devolve estabilidade ao cenário político catarinense.
Resta agora um novo capítulo. Com o processo encerrado, a expectativa é de um senador mais presente e mais atuante. As pautas ideológicas fazem parte da política, mas Santa Catarina cobra foco em desenvolvimento, infraestrutura, economia e representatividade efetiva em Brasília.
A política ganha quando as decisões são técnicas e quando a institucionalidade prevalece. O episódio deixa lições sobre responsabilidade, prudência e, sobretudo, sobre o peso do tempo em processos que impactam diretamente a democracia.

