
O vereador de Joinville Mateus Batista (Missão) e o pré-candidato a deputado estadual Felipe Barcellos (Missão), ambos do MBL (Movimento Brasil Livre), publicaram uma série de vídeos nas redes sociais nesta semana com termos preconceituosos quanto ao Morro do Mocotó, em Florianópolis. Os políticos usaram palavras como “favelão” e “lixo” para se referir à comunidade. Desde a primeira publicação, na terça-feira (20), moradores da região se manifestam contra os termos preconceituosos utilizados pelos políticos para se referir à população e à favela em si.
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“Nunca subiram numa comunidade, não conhecem nossas histórias e nossa cultura”, afirmou um morador Morro nos comentários do vídeo original.
O Ministério Público Federal e o Ministério Público de Santa Catarina afirmaram que estão cientes do caso e devem tomar providências em breve.
Comunidade do Morro do Mocotó repudia falas preconceituosas
Edson Lopes Junior, o ‘Juninho’, líder comunitário e parte de uma das famílias mais tradicionais do Morro, concedeu entrevista ao Jogo do Poder, programa de Emanuel Soares na Jovem Pan News Floripa. Segundo ele, a comunidade não está com raiva, mas não quer aceitar o desrespeito e a falta de conhecimento por onde eles vivem.
“Não adianta só generalizar e falar do lado negativo. Vamos mostrar também o lado bom”, pediu Juninho.
Ele contou que a comunidade do Morro do Mocotó possui uma série de ações e projetos sociais, especialmente voltados às crianças, que auxiliam a manter os mais novos longe da ilegalidade e dar perspectiva de um futuro para pessoas em condições de vulnerabilidade.
O líder ainda ofereceu aos dois integrantes do MBL que subam o morro e conheçam a comunidade verdadeiramente, para depois emitir opiniões. Ele negou o controle total por facções e disse que os políticos podem ser bem recebidos caso queiram visitar o local.
Luiz Taffarel Lopes, educador social e também líder comunitário, reafirmou que grande parte dos moradores são trabalhadores formais, que buscam apenas condições igualitárias em Florianópolis.
“Ele nos chama de lixo e fala que temos que acabar. Nós nunca vamos acabar, porque é a gente que faz a cidade girar”, enfatizou.
Taffarel destacou o projeto Bairro Educador, que atende mais de 200 crianças e adolescentes da comunidade, além de ações como ACAM (Associação de Amigos da Casa da Criança e do Adolescente), IVG (Instituto Padre Vilson Groh), Meu Instituto e Eu Faço a Minha Parte. Segundo ele, o que mais tem no morro são iniciativas para reduzir a criminalidade e incentivar os estudos e o ingresso ao mercado de trabalho.
As falas dos membros do MBL não representam a visão de quem mora e frequenta o local. “Eles não conhecem a nossa comunidade, nem nossa realidade”, afirmou o educador e líder comunitário do Morro do Mocotó.
Integrantes do MBL afirmam que falas foram “tiradas do contexto”
Durante entrevista ao jornalista Emanuel Soares durante o Ligado na Cidade desta quinta-feira (22), a dupla de polítivos afirmou que as falas foram “tiradas do contexto original” a fim de antagonizar a população em relação às pautas do partido e do movimento em si.
“Nós não falamos que as pessoas que moram na comunidade são um lixo. Muito longe disso, a fala fica clara para quem quer interpretar. A gente falou que a favela é um lixo. Favela onde, por exemplo, as comunidades do Rio de Janeiro, onde não bate o sol. E essa realidade está chegando em Floripa”, afirma um deles.
“A situação em Santa Catarina demonstra sinais de favelização, e é crucial agirmos. O crescimento do crime organizado está diretamente ligado à favelização, embora reconheçamos a presença de atividades criminosas também em áreas nobres. É nas áreas de habitação irregular, nas favelas, onde o Estado tem pouca presença e o crime organizado exerce controle territorial. É nesses locais que as facções conseguem impor taxas, estabelecer uma cultura e difundir sua ideologia, um fenômeno que já está em curso”, completa.
Por Ana Horst
Edição de Bruno Gallas

