Lei e Ordem: Segurança Pública definirá as eleições de 2026

Por: João Victor da Silva
em 30/03/2026 às 10:37 - Atualizado há 1 hora.

Por toda América Latina, lideranças políticas com discursos e ações efetivas de combate à criminalidade estão ganhando popularidade

Por João Victor da Silva

Existe uma hierarquia entre os direitos. Os direitos à vida, à liberdade e à propriedade são considerados direitos naturais dos indivíduos. O filósofo inglês John Locke, entretanto, explica que, como sociedade, delegamos aos governos a função de proteger esses direitos. Assim sendo, a segurança pública é o elemento fundamental da existência do Estado. Portanto, o Estado que falha na segurança não falha apenas em uma política setorial, ele falha em sua razão de existir.

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Na América Latina, região onde o crime organizado expandiu significativamente sua presença nas últimas cinco décadas, o populismo econômico deixou de ser a chave do sucesso eleitoral. A população quer caminhar à noite pelas ruas sem temer por sua vida, quer fazer ligações com seu celular sem medo de ter seu dispositivo roubado e quer chegar à sua casa sem ser extorquido por milicianos ou traficantes. Lideranças políticas que combatem o crime estão sendo recompensadas eleitoralmente pela população.

O exemplo mais notável de sucesso no combate à criminalidade é o de El Salvador. Outrora o mais violento das Américas, hoje disputa com o Canadá a posição de país mais seguro do continente. Essa transformação ocorreu em menos de um mandato presidencial, quando o presidente Nayib Bukele implementou uma agenda de tolerância zero. Como resultado, Bukele foi reeleito com mais de 85% dos votos e seu partido assegurou maioria absoluta no parlamento do país.

No Brasil, onde o governo relega o combate ao crime à prioridade secundária, a popularidade do governo vem caindo progressivamente nas pesquisas de opinião. A pesquisa Latam Pulse, realizada pela AtlasIntel em março de 2026, indica com clareza que a lei e a ordem são as principais preocupações dos brasileiros. A corrupção e a criminalidade são consideradas os dois principais problemas do país, com mais do dobro de menções do que a opção “economia e inflação”. O mesmo instituto indica que a desaprovação do governo atingiu o recorde da série histórica (54%) na sequência dos escândalos de corrupção do INSS e do Banco Master, bem como da deterioração da percepção de segurança da população.

A população não se satisfaz com mero discurso sobre segurança pública — ela quer políticas rígidas porque funcionam. O prêmio Nobel de economia, Gary Becker, demonstrou isso na década de 1960. De acordo com Becker, os criminosos estimam o ganho esperado do crime e a probabilidade de serem punidos. Quando o balanço é positivo, o cálculo do criminoso é racionalmente favorável à prática do crime. Não por acaso, o Brasil é um dos países mais violentos do mundo. O governo, ao apostar no discurso de que o criminoso é uma vítima da sociedade ou de alguma patologia, acaba falhando em sua função elementar de defender a vida, a liberdade e a propriedade.

Em outubro, o eleitor brasileiro fará uma escolha baseada nas ideias de John Locke: qual candidato protegerá seus direitos naturais? A resposta a essa pergunta determinará quem será o próximo presidente. Quem compreender que a segurança é a pauta primária do país terá a chave da próxima eleição.