Milhares de peixes mortos aparecem em rio de Palhoça

Prefeitura alega que animais podem ter sido despejados já mortos no local, enquanto moradores acreditam que o problema está na poluição
Por: Redação
em 24/02/2026 às 13:54 - Atualizado há 1 dia.
peixes palhoça
Foto: Ana Horst/Jovem Pan News/Tudo Aqui SC

Quem passou nesta segunda-feira (23) pelo Rio das Ostras, no bairro Rio Grande, em Palhoça, não conseguiu ver a água abaixo da enorme quantidade de peixes mortos na superfície. A suspeita da Prefeitura é de que os peixes tenham chegado ao rio já mortos – uma vez que a espécie, de água salgada, não costuma subir além da foz em períodos reprodutivos.

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“Não tinha mais rio, tinha um lençol de peixes”, afirmou um morador da região. Para ele, a causa do fenômeno deve estar relacionada ao derramamento de esgoto na água. “A drenagem de todo o bairro acaba nesse rio. É pura poluição”.

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Diversos pontos de despejo de água podem ser vistos ao longo do rio. Foto: Ana Horst/Jovem Pan News/Tudo Aqui SC

A reportagem da Jovem Pan News e do Tudo Aqui SC conversou com sete moradores e todos afirmam que há lançamento de efluentes no canal. A Prefeitura de Palhoça não confirmou as hipóteses.

Nesta terça-feira (24) pela manhã, a maré baixou. Parte dos peixes foram levados pela correnteza de volta ao mar aberto, enquanto parte seguiu presa às margens.

Os peixes são da espécie Manjuba, um pequeno animal de água salgada, que pode chegar a até 12cm de comprimento. Ele é comumente utilizado como isca natural para pesca de peixes marítimos maiores.

Segundo o Diretor de Controle, Passivos e Qualidade Ambiental do IMA-SC (Instituto do Meio Ambiente), Diego Hemkemeier Silva, não há histórico de situações semelhantes no trecho, e a causa da mortandade pode variar, sendo por fatores ambientais ou mesmo provocados pelo ser humano.

“Até mesmo o descarte de pesca, nesse caso, é válido, justamente pela homogeneidade e padronização da espécie encontrada”, contou.

Os técnicos do IMA que estavam no local realizando a coleta da água contaram que análise das amostras demora, em média, duas semanas para ficar pronta. Até lá, o Instituto não consegue afirmar a possível poluição do rio.

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Cadáveres dos animais foram depositados pela maré nas margens do Rio das Ostras, região central de Palhoça. Foto: Ana Horst/Jovem Pan News/Tudo Aqui SC

Todo o curso de água é uma APP (Área de Proteção Permanente), então não seria permitido ter construções em 30 metros das margens — regra que não é respeitada pelas residências locais.

Rogério Rech, funcionário FCAM (Fundação Cambirela do Meio Ambiente), relatou que o derramamento dos milhares de peixes deve ter ocorrido com eles já mortos. Segundo ele, pescadores de Atum da região utilizam da Manjuba como isca, mas a alta quantidade causa estranheza.

“Você não via água, era só peixe. A minha teoria é de que uma embarcação derrubou tudo aí”, especulou outro morador.

Além da aparência preocupante da mortandade, o curso da água conta com forte cheiro, especialmente pela decomposição dos animais.

Por Ana Horst
Edição de Bruno Gallas