40 pessoas são indiciadas por organizar farra do boi em Governador Celso Ramos

A investigação permitiu que fossem identitificados os organizadores,, transportadores e vendedores dos bovinos
Por: Redação
em 16/03/2026 às 13:38 - Atualizado há 2 horas.
farra do boi governador celso ramos
Foto: Divulgação.

40 homens foram indiciados em Governador Celso Ramos por organizarem farras do boi no município. Todos são acusados de maus-tratos a animais e associação criminosa. Segundo a Polícia Civil de SC, o inquérito é fruto de um trabalho de inteligência que superou o anonimato desses eventos e a dificuldade de acesso aos locais das ocorrências na cidade.

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Ao longo de mais de um ano, foram analisadas imagens e realizadas quebras de sigilo de dados telefônicos e telemáticos, fundamentais para vincular 22 episódios ilícitos, alguns sem registro formal prévio, e individualizar a conduta dos envolvidos.

O uso da tecnologia permitiu que os investigadores chegassem aos organizadores, financiadores, transportadores e vendedores dos bovinos em Governador Celso Ramos. A investigação revelou a existência de grupos organizados para a arrecadação de valores – as chamadas “vaquinhas”, destinados tanto à compra dos animais quanto ao pagamento de advogados e de multas administrativas aplicadas aos participantes abordados anteriormente.

Entre os 40 indiciados, destaca-se a participação de um vereador do município de Governador Celso Ramos. O envolvimento de figuras públicas em práticas criminosas exige atenção rigorosa, pois o exercício de cargos importantes não confere tratamento diferenciado ou imunidade perante a lei. Pelo contrário: condutas ilícitas praticadas por lideranças políticas podem passar à sociedade a falsa mensagem de que tais crimes são toleráveis. A conclusão deste inquérito reafirma que a legislação se aplica a todos, independentemente da função ocupada.

A investigação apurou que o parlamentar atuava de forma indireta e organizacional, participando de grupos de compra de bois, monitorando dias e horários dos eventos e, em certas ocasiões, utilizando sua própria propriedade para guardar reboques e animais destinados à prática criminosa.

A configuração de associação criminosa foi reforçada pela repetição de nomes na articulação de aquisição e transporte do animal, com rateio de valores até mesmo de prejuízos, demonstrando uma divisão de tarefas estruturada. Houve, ainda, registro do envolvimento de adolescentes em episódios de maus-tratos, o que agrava a pena prevista.