Comerciantes de praia relatam prejuízo na temporada de verão em Florianópolis

Empresários e Prefeitura tentam entrar em acordo após surpresa com falta dos turistas especulados pelo poder público; intermedições seguem em andamento
Por: Ana Horst
em 13/04/2026 às 12:03 - Atualizado há 4 horas.
quiosque de praia em florianópolis
Foto: PMF/Divulgação

Comerciantes de praia em Florianópolis se uniram para relatar grande prejuízo durante a temporada de verão 2025/2026. A redação da Jovem Pan News teve uma conversa exclusiva com os integrantes do movimento para entender as reivindicações.

Clique aqui e receba as notícias do Tudo Aqui SC e da Jovem Pan News no seu WhatsApp

Um dos principais pontos é o alto valor da outorga — dinheiro pago para uso dos espaços de comércio na praia. Segundo um integrante do movimento, que preferiu não se identificar, o valor desta temporada chega a ser 300% mais caro que o da anterior.

quiosque de praia em florianópolis
Foto: GMF/Reprodução

“A gente tem experiência na praia, mas também nos baseamos na temporada passada e nas especulações da Prefeitura”, afirmou. A gestão municipal esperava a vinda de 3 milhões de pessoas para este verão. Entretanto, os empresários especulam ter atendido metade dessa quantidade. Ano passado, a cidade fechou a temporada em 2 milhões de visitantes, número maior do que neste.

Seis sócios afirmaram ter investido R$ 1,5 milhão em quiosques, esperando o fluxo de turistas divulgado. Eles contam que faturaram apenas R$ 600 mil, ficando em grande prejuízo.

“O empresário se envolve sabendo que tem chance de risco — mas, dentro das condições que nos colocaram, após as tratativas com a Prefeitura, ninguém esperava isso“, relatou em entrevista um dos sócios.

Além da expectativa criada, o grupo defende que os altos valores não foram acompanhados de melhores condições nas praias. Para eles, o dinheiro arrecadado poderia ser usado para uma melhor atração de visitantes, com aumento das faixas de areia, melhores condições para os quiosques, banheiros e iluminação nas áreas costeiras, ou outros incrementos para melhor conforto do turista e do morador.

Agora, o principal desejo dos donos de comércio é a renovação do pregão para o próximo ano, sem que seja necessário um novo pagamento da mesma altura, “para compensar por esta temporada”. Eles defendem que se trata de um reequilíbrio econômico.

quiosque de praia em florianópolis
Foto: PMF/Divulgação

Movimento dos comerciantes

O grupo envolvido na ‘denúncia’ contra a Prefeitura seria composto de 60 permissões de quiosques/vendas, com cerca de 30 empresários vinculados.

Para eles, “não é um movimento político, tanto que ainda não há nenhum vereador envolvido. É realmente um conjunto de comerciantes buscando opcões”. Segundo o movimento, a Prefeitura abriu caminho para o diálogo, então querem ir por esse meio, resolvendo o impasse apenas administrativamente, se possível.

Resposta da Prefeitura

Em nota, a Prefeitura afirmou que, no processo licitatório, os valores de outorga foram definidos pelos próprios participantes, por meio de lances, superando o mínimo estipulado pelo município. Já o movimento dos comerciantes afirma que a definição de um valor mínimo, mas nenhuma fiscalização ou definição de valor máximo, seria um dos principais problemas no sistema de leilão.

Os representantes do município ainda dizem que “até o momento, não há registro de solicitação formal de reequilíbrio financeiro ou de renovação contratual”. O diálogo entre a Prefeitura e os empresários segue ativo.

Foto: PMF/Divulgação